segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

COMO ADAPTAR O CÃO AO NOVO AMBIENTE?

Viagem com o pet: Adaptação ao novo ambiente?

Por Ricardo Tamborini*

O cão já está acostumado e ambientado à casa em que vive, mas ao chegar a um local desconhecido é comum que ele queira reconhecer o novo ambiente. Só após cheirar, andar por todo o local ou, até mesmo, urinar para demarcar território é que o animal ficará mais tranquilo e se sentirá mais seguro.

Em viagens, é bastante comum que cães apresentem alterações no comportamento. Por conta da mudança de rotina e de ambiente, o cão pode aprender a pular nas pessoas, latir incessantemente para chamar atenção, brincar de morder ou pode começar a roubar comida da mesa. Esses são alguns exemplos de problemas de comportamento causados pela falta de regras e limites, uma vez que em viagens é comum que o animal tenha contato com várias pessoas e as brincadeiras muito permissivas são as principais causadoras desses desvios de comportamento.

Já com cães mais sensíveis e receosos, as consequências da mudança de rotina e ambiente podem ser mais sérias. Eles evitam ficar longe dos donos, principalmente os que sofrem de Ansiedade de Separação. Ao notarem que seus tutores não estão por perto, esses animais podem demonstrar essa ansiedade apresentado sinais distintos de irritabilidade: latidos, uivos, arranhar a porta, destruir almofadas ou outros objetos da casa. Em casos mais extremos, o animal pode apresentar sinais de depressão, não se alimentando ou hidratando mesmo na presença de outras pessoas.

Sendo assim, ao decidirem levar o pet em uma viagem, os donos devem planejá-la com bastante cautela.

Como planejar a viajem com o cachorro?
Antes de viajar devemos avaliar alguns pontos e tomar cuidados importantes:

Cuidados: ao menos 15 dias antes da viagem, o dono deve levar o animal ao veterinário para uma avaliação clínica, a fim de verificar seu estado geral de saúde, bem como se a vacinação, vermifugação e controle de parasitas como pulgas e carrapatos estão em dia.  

Idade e saúde: viagens muito longas são estressantes e cansativas, principalmente para cães mais idosos ou que necessitam de cuidados especiais devido a algum problema de saúde.

Meio de transporte: se for de carro, o dono não deve se esquecer da segurança, tanto do cão quanto dos outros ocupantes do veículo. Usar um cinto de segurança específico para cães ou acomodá-lo em uma caixa de transporte são cuidados indispensáveis. Vale lembrar que transitar com o animal solto no carro é uma infração de trânsito e o dono pode ser multado. Viajar em horários de temperatura mais baixa, para que o animal não sofra com o calor, também é importante, bem como parar a cada duas ou três horas para que o cão caminhe, beba água e faça as suas necessidades.

Temperatura: se for viajar para um lugar de clima quente, o dono deve lembrar-se de sempre deixar água fresca para o cão. Cães não suam e, dessa forma, irão beber mais água do que o normal, pois precisam manter sua temperatura controlada e evitar a desidratação. Já em lugares de clima muito frio, levar alguns cobertores ou roupinhas para que ele fique mais bem aquecido.

Levar ou não: viajar com o animal gera algumas despesas extras e, também, algumas limitações, dependendo do local onde o dono for se hospedar ou do tipo de viagem que irá fazer, além do estresse que o cão será submetido em viagens muito longas. Caso não possa levar o pet, o dono deve avaliar a possibilidade de deixá-lo com um amigo que possa cuidar bem dele ou escolher um hotel para cães com boas referências.  Caso a viagem seja curta e o local adequado, e o dono saiba que terá condições de dar a atenção necessária e levá-lo nas saídas, o cão ficará muito feliz em aproveitar essa viajem ao lado de seu tutor.

Tornando o ambiente mais familiar para o pet
Um truque que funciona muito bem é levar a caminha ou os paninhos que tenham o cheiro do pet. Isso ajuda a diminuir a ansiedade do animal e faz com que ele se sinta mais ambientado.

Continuar com as atividades e manejo diários, evitando a quebra da rotina do pet, também é bastante importante: não alimentá-lo fora dos horários em que ele já está acostumado e manter a mesma rotina de passeios e brincadeiras.

O dono também não deve permitir que seus amigos de viagem deem restinhos de comida durante as refeições ou façam brincadeiras muito permissivas, que podem resultar em um desvio de conduta do cão.

Sinais da “não adaptação” e que medidas tomar
A falta de apetite, dormir mais do que o normal, lamber as patas, chorar muito, andar curvado, respirar ofegante mesmo parado, tremer demais, não brincar ou interagir, não urinar ou defecar ou apresentar vômitos ou diarreia são sinais claros de que o cão não se adaptou ao novo ambiente.

Se notar que o comportamento do cão está diferente, o dono deve procurar agir da mesma forma que agiria com ele em casa. O estresse da viagem pode gerar agressividade ou ansiedade. Em caso de agressividade, procurar impor regras e limites ao cão e proporcionar atividades. Muito provavelmente isso foi causado por brincadeiras muito brutas, que incitaram o cão a rosnar ou morder, bem como a disputa por algum objeto, brinquedo e /ou alimento. Já a ansiedade pode ter surgido, principalmente, pela ausência dos donos.

O que levar quando viajar com o cachorro?
Não é possível prever se o cão se adaptará ou não ao novo ambiente durante a viagem. O ideal, em todos os casos, é se esforçar para que o passeio seja o mais agradável possível para o animal. Sendo assim, listei um “kit sobrevivência” que podem auxiliar o pet a se sentir seguro, protegido e amado em todos os momentos:

- Acessórios ideais para um transporte seguro.
- Potes de comida e água.
- Uma boa quantidade da ração (a mesma que ele está acostumado a se alimentar).
- Caminha ou paninhos de dormir.
- Medicamentos (caso esteja tomando algum).
- Brinquedos que ele mais gosta (para que ele fique entretido e não destrua nada na casa ou hotel).
- Saquinhos para recolher fezes.
- Acessórios para o passeio, como guia e coleira.
- Caixa de transporte ou sinto de segurança.
- Plaquinha de identificação com telefone, para que facilite a identificação do animal em caso de perda.
*Ricardo Tamborini é adestrador e especialista em comportamento canino. www.ricardotamborini.com.br

Enviado por Lais Silva

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