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HVU recebe filhote de bugio-preto resgatado após atropelamento

Foto: Hospital Veterinário da Uniube

Nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, o Setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário da Uniube (HVU), recebeu um filhote de bugio-preto (Alouatta caraya), primata nativo do Brasil com ocorrência registrada em Minas Gerais. O animal foi recolhido pela Polícia Militar de Meio Ambiente de Frutal após ser encontrado pela manhã às margens da rodovia AMG-3060, no distrito de Aparecida de Minas, município de Frutal (MG). 


De acordo com as informações repassadas pela equipe responsável pelo resgate, a mãe do filhote foi vítima de atropelamento na mesma rodovia. O filhote é macho, com idade estimada entre 30 e 45 dias, e chegou ao HVU apresentando uma pequena lesão na mão direita, caracterizada por ferida superficial de pele, compatível com trauma decorrente do atropelamento e da separação materna.


Durante a avaliação clínica inicial, o animal apresentava-se reativo, com sinais vitais estáveis. A equipe veterinária realizou exame físico completo e avaliação do estado geral, instituindo cuidados de suporte, incluindo higienização e proteção da ferida, além de manejo para controle da dor e do estresse. O caso segue em acompanhamento, com reavaliações seriadas conforme a evolução clínica.


Quem é o bugio-preto?


O bugio-preto (Alouatta caraya) é um primata de médio porte, conhecido pelas vocalizações altas e potentes e pelo comportamento arborícola. Vive em grupos e utiliza as copas das árvores para deslocamento e descanso. A espécie apresenta dimorfismo sexual marcante: machos adultos tendem a apresentar pelagem escura, quase negra, enquanto fêmeas adultas costumam ter coloração castanha a dourada.


Segundo o Sistema SALVE/ICMBio (Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade), ferramenta do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, entre as principais ameaças à espécie estão os atropelamentos em rodovias, além de incêndios, doenças e outras pressões antrópicas.


Status de conservação da espécie


Para este caso, é importante diferenciar o status de conservação em nível nacional e estadual:

  • Brasil (avaliação nacional – ICMBio/SALVE): Alouatta caraya é classificada como Vulnerável (VU), com categoria atribuída em 27 de setembro de 2019.
  • Minas Gerais (lista estadual citada no SALVE): a espécie é considerada Quase Ameaçada (NT).

“Quando dizemos que uma espécie está ‘Quase Ameaçada’, significa que ela ainda não se enquadra oficialmente nas categorias Vulnerável, Em Perigo ou Criticamente Em Perigo, mas já apresenta sinais preocupantes. Trata-se de um alerta técnico, que indica possível declínio populacional, fragmentação do habitat e pressões como atropelamentos, incêndios, doenças, caça e ataques por cães, fatores que podem acelerar a perda de indivíduos e levar a espécie a uma condição mais grave se não houver medidas efetivas de prevenção e proteção”, explica o médico-veterinário Cláudio Yudi, responsável pelo Setor de Animais Silvestres do HVU.


O filhote permanecerá sob cuidados do HVU, com prognóstico favorável até o momento, condicionado à manutenção da estabilidade clínica e à boa evolução da lesão. Assim que estiver clinicamente apto, a previsão é de encaminhamento ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS), no município de Patos de Minas, seguindo os fluxos oficiais de triagem e reabilitação de primatas.


Orientação à população


Ao encontrar um animal silvestre ferido ou em situação de risco, a orientação é não tentar capturar, alimentar ou medicar o animal. O correto é manter distância segura e acionar imediatamente os órgãos competentes, como a Polícia Militar de Meio Ambiente ou o Corpo de Bombeiros Militar, garantindo a segurança das pessoas e o atendimento adequado à fauna silvestre.




Por Carolina Oliveira | Universidade do Agro

Projeto apoiado pela Concer monitora presença de mico-leão-dourado nas regiões Metropolitana e Serrana do Rio de Janeiro


Especialista alerta a população contra a perseguição de primatas, que não transmitem a varíola dos macacos ou monkeypox


Ameaçado de extinção, um dos mais conhecidos símbolos da fauna brasileira, o mico-leão-dourado pode ser encontrado às margens da Rio-Juiz de Fora, em cidades das regiões Metropolitana e Serrana do Rio de Janeiro. Essa é a tese que o veterinário Eduardo Rubião, presidente da organização não governamental Pantharpia, pretende comprovar na pesquisa de doutorado que desenvolve na Escola Nacional de Botânica Tropical do Rio de Janeiro, vinculada ao Jardim Botânico. O estudo é feito por meio do Projeto Sagui Leão Rosalia.

 

Segundo o especialista, o habitat do mico-leão-dourado no estado do Rio de Janeiro é a Região de Baixada Litorânea. Por isso, mesmo sendo ameaçado de extinção, exemplares da espécie são encontrados com mais frequência nos municípios de Silva Jardim, Rio Bonito e Casemiro de Abreu, por exemplo. No entanto, devido à interferência da presença humana na Mata Atlântica, Eduardo revela que há três hipóteses da presença dos animais na Região Metropolitana do RJ: 1- Foram soltos pelas pessoas na área; 2 - Migraram da região de baixadas litorâneas ou; 3- Existiam pequenas populações remanescentes na área que não foram registradas pelos pesquisadores (essa possibilidade é mais remota, porém pode ter acontecido).

 

Contando com o apoio da Concer, concessionária que administra a BR-040, o veterinário pretende ampliar o monitoramento de populações de micos-leões-dourados em municípios como Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu e Petrópolis, que integram as regiões Metropolitana e Serrana do estado. "Temos nessas regiões nove unidades de conservação que estão conectadas, florestadas e protegidas. Ao longo dessa área de 200 mil hectares, temos seis municípios. E nesses locais, já descobrimos várias populações de mico-leão-dourado", revela o coordenador do Projeto Sagui Leão Rosalia.

 

De acordo o especialista, muitos exemplares da espécie têm sido encontrados espalhados nessa área desde 2019, quando iniciou sua pesquisa. Eduardo explica que ele e os integrantes de sua equipe vão até os locais de ocorrência do mico-leão-dourado na Mata Atlântica, coletam material biológico dos animais para a pesquisa de doenças, genética (origem dos animais) e ações de monitoramento para em seguida devolvê-los à natureza.


Seus estudos indicam que a área estudada possui cerca de 30 mil hectares em condições de abrigar cerca de mais de dois mil micos-leões-dourados. "Esse trabalho de monitoramento do mico-leão-dourado na Região Metropolitana é inédito e muito importante, pois 12 milhões de pessoas habitam nessa área e precisam ser informados sobre o modo de como devem proceder ao encontrar o animal", explica o veterinário.

 

Os resultados da pesquisa devem ser apresentados até o final do ano no meio acadêmico. Contudo, o especialista adianta que já registrou aproximadamente 150 indivíduos, divididos em 30 grupos familiares.

 

Encontrar esses primatas em regiões serranas, especialmente em função da altitude, explica Eduardo Rubião, pode indicar que a pressão da presença do homem e as mudanças climáticas — que estaria ficando mais quente — estejam provocando mudanças no habitat da espécie. Na década de 1960, o estado do Rio de Janeiro contava com apenas 200 indivíduos e hoje, em função da luta pela sua preservação, já existem aproximadamente três mil animais.

 

Primatas não fazem parte do ciclo da doença "varíola dos macacos" -- Presidente da ONG Pantharpia, o veterinário Eduardo Rubião esclarece que primatas não são reservatórios e não fazem parte do ciclo da doença monkeypox, a chamada varíola dos macacos. De acordo com o especialista, o vírus dessa doença é transmitido principalmente por roedores, como ratos e camundongos, por exemplo; e não por primatas.

 

"A varíola dos macacos ou monkeypox é um nome errado que foi dado para uma doença que foi registrada em cativeiro com alguns macacos oriundos da África no final da década de 50. Mas ela está associada mais a roedores silvestres do que propriamente com os macacos. Até hoje, todas as agências mundiais não relataram a transmissão de macacos para humanos: foi sempre de humanos para humanos. É necessário que a população se esclareça da importância dos primatas no meio ambiente", observou.

 

Nesse sentido, o especialista ressalta que a falta de informação é muito prejudicial ao meio ambiente, destacando que os primatas não têm registro de transmissão da monkeypox, assim como não transmitem a febre amarela para os seres humanos e alerta aqueles que perseguem primatas por conta dessas doenças. "É importante conscientizar a população para que não matem, não persigam e não maltratem os primatas. Isso é crime ambiental punido com a legislação em vigor”, completou.

 

Diante desse cenário, ganha mais importância o apoio da Concer ao Projeto Sagui Leão Rosalia. A concessionária libera o pedágio das equipes de pesquisa e prepara a realização de uma série de palestras em escolas públicas de Petrópolis sobre o tema da presença do mico-leão-dourado na região, dentro do programa Rota do Saber — iniciativa da Concer que leva educação ambiental para escolas na região do entorno da BR-040.

 

"Vamos realizar palestras nas escolas nas quais a concessionária desenvolve iniciativas de Educação Ambiental. É fundamental conscientizar as crianças e as comunidades da presença do mico-leão-dourado na região. Assim, as pessoas sabem como lidar melhor com os animais, evitando danos", completou o presidente da ONG Pantharpia.





Por Alessandra Moura Bizoni - Insight Comunicação






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