Crescimento de pets não convencionais expõe erros comuns de manejo

Crédito: Matheus Campos

Grande parte dos problemas de saúde observados nesse tipo de animal de estimação poderia ser evitada com informação adequada desde o início



O aumento de aves, répteis e pequenos mamíferos mantidos como animais de estimação nos lares brasileiros tem ampliado também a procura por atendimento veterinário especializado. No entanto, segundo especialistas, grande parte dos problemas de saúde observados nesses pets poderia ser evitada com informação adequada desde o início. Alimentação incorreta, ambiente inapropriado e ausência de acompanhamento preventivo estão entre os erros mais frequentes.


 

Dados do setor pet indicam que os animais não convencionais — grupo que inclui aves, répteis, peixes e pequenos mamíferos — já representam uma parcela significativa dos pets no país. A diversificação acompanha mudanças no estilo de vida urbano, espaços reduzidos nas residências e a popularização dessas espécies nas redes sociais. O desafio, porém, é que esses animais exigem cuidados muito específicos, que nem sempre são conhecidos pelos tutores.


Crédito: Matheus Campos


 

No Hospital Veterinário Taquaral (HVT), em Campinas, esse cenário já é claramente percebido na rotina clínica. “Temos observado um aumento consistente nos atendimentos a pets não convencionais, não apenas em casos de urgência, mas também em consultas preventivas, exames e orientações aos tutores. Isso mostra que há uma conscientização crescente, embora muitos problemas ainda sejam consequência de manejo indevido”, explica a médica-veterinária Raíssa Natali, especializada em animais não convencionais.



O fora do comum exige informação, não improviso


Crédito: Vinícius Ferraz
Raíssa Natali, veterinária de pets não convencionais do HVT



Apesar das diferenças entre espécies, os veterinários destacam que os erros cometidos pelos tutores tendem a se repetir. “Independentemente de ser ave, réptil ou pequeno mamífero, os principais equívocos envolvem alimentação incompatível, ambiente mal dimensionado, ausência de controle de temperatura e umidade e a falta de acompanhamento veterinário preventivo”, afirma Raíssa. Segundo ela, também é comum a automedicação e a adoção de orientações genéricas encontradas na internet, o que pode agravar quadros clínicos.



Outro fator que dificulta o diagnóstico precoce é o comportamento natural desses animais. “A maioria dos pets não convencionais é espécie-presa e, por instinto, mascara sinais clínicos até o limite fisiológico. As alterações iniciais costumam ser sutis e pouco específicas, o que faz com que muitos cheguem ao atendimento já em estágios avançados da doença”, explica a médica-veterinária Morgana Prado, também especializada na área e atuante no HVT.


 

A ideia de que esses animais “dão menos trabalho” ou “não precisam de veterinário” é um dos principais riscos à saúde deles. “Essa percepção leva à negligência do manejo correto e da medicina preventiva. Sem acompanhamento, o diagnóstico e o tratamento acabam sendo tardios, o que reduz o prognóstico”, alerta Morgana. Ela reforça que a consulta preventiva é um pilar fundamental, permitindo avaliar nutrição, ambiente e manejo, além da realização de exames clínicos, laboratoriais e de imagem.


 

Carinho não basta

Crédito: Vinícius Ferraz
Morgana Prado, veterinária de pets não convencionais do HVT



Para as veterinárias, a principal orientação aos tutores é que proximidade e carinho não substituem conhecimento técnico. “Não é o afeto que garante saúde, mas a informação correta e o acompanhamento veterinário especializado”, conclui Raíssa.


 

Morgana completa: “Diante de qualquer mudança discreta de comportamento, apetite, fezes ou mesmo na aquisição do animal, a recomendação é buscar orientação profissional, que assegura a busca pelo bem-estar e longevidade do pet”.





Hospital Veterinário Taquaral – Campinas SP


YouTube

Instagram: @hvtcampinass

Facebook

Site

Av. Heitor Penteado, 311, Taquaral (em frente ao portão 6 da Lagoa) – Campinas SP

Funcionamento: 24 horas, sete dias por semana

Telefones: (19) 3255-3899 / WhatsApp: (19) 99256-5500




Por Kátia Nunes - AMZ Comunicação

VÍNCULO COM PETS AJUDA NA RECUPERAÇÃO EMOCIONAL DE PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA

Episódios recentes de violência animal mostram a urgência de olhar para os vínculos afetivos entre pets e pessoas em situação de rua.



O ano começou há algumas semanas, mas as notícias envolvendo maus tratos aos animais já são muitas. O caso de maior repercussão até agora é o cão Orelha de Florianópolis que foi morto por adolescentes de forma brutal. Orelha era um cão comunitário, ou seja, ele vivia nas ruas e era criado por diversos moradores da cidade. Em paralelo, o número de animais domésticos na rua é alarmante, segundo a Mars PetCare, são mais de 30 milhões nessa situação no Brasil. O que nos faz lembrar que todos os dias milhares de pets sofrem.


 

Para cada animal em situação de rua, existe também uma pessoa em situação de vulnerabilidade que cuida, protege, alimenta e divide o pouco que tem com seu cão ou gato, muitas vezes mais de um ao mesmo tempo. Esse vínculo resultou na criação da ONG Moradores de Rua e Seus Cães, uma iniciativa de 10 anos que apoia pessoas e seus animais vulneráveis, levando comida, banhos, doações, vacinas, vermifugação, castração, lanches e kits de higiene de forma totalmente gratuita.


 

Eduardo Leporo, fotógrafo e fundador da ONG MRSC, conta que episódios de violência contra animais de rua impactam diretamente as pessoas em situação também em situação vulnerável que convivem com eles e encontram nesses vínculos uma forma de sobrevivência emocional. Para quem vive nas ruas, perder um animal é, em diversos casos, perder o único laço afetivo, a única fonte de amor, proteção e estabilidade.


 

É nesse contexto que a Teoria do Elo se torna fundamental para entender o problema. “A Teoria do Elo mostra que quando a violência contra animais é ignorada, a violência contra pessoas também avança. Esses pets são o principal ponto de afeto dessas pessoas. Já vi diversas vezes, nas ações que fazemos, que esses pets ajudam a reduzir sentimentos de solidão, depressão e abandono. Em muitos casos, são o motivo pelo qual essa pessoa segue lutando.” Afirma Leporo.


 

Ao atuar diariamente nas ruas, a MRSC comprova que combater a violência contra animais é também uma estratégia de cuidado humano. Proteger esses pets significa preservar vínculos afetivos, reduzir danos emocionais e oferecer um primeiro passo para a recuperação emocional de pessoas que vivem à margem da sociedade.


 

Somente na Capital Paulista, a ONG MRSC já realizou 127 ações em pontos estratégicos, como Praça da República e Marechal Deodoro. São mais de 200 voluntários ativos que já realizaram quase 700 ações solidárias no país. Em números, a ONG registra mais de 30 mil atendimentos, 40 mil doses de vacinas aplicadas em cães e gatos e 5.500 castrações gratuitas, realizadas em parceria com hospitais veterinários e grandes empresas, como Programa Adotepetz da Petz, Mol Impacto, Arredondar e Boehringer Saúde Animal, números que a colocam entre as maiores iniciativas independentes voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade e os seus pets.



 

A ONG MRSC (Moradores de Ruas e Seus Cães), fundada pelo fotógrafo paulistano Eduardo Leporo, surge da sensibilidade de observar as histórias por trás dos cães encontrados nas ruas. Documentando essas narrativas em seu livro "Moradores de Rua e Seus Cães", Leporo transformou seu projeto fotográfico em um gesto de solidariedade. Desde 2015, a MRSC proporciona assistência abrangente a animais de estimação de pessoas em situação de rua em 07 estados brasileiros, e já beneficiaram mais de 100 mil indivíduos, somente na capital de São Paulo. Com o lema "Nem só de ração vive o cão. E nem o gato", a ONG oferece alimentação, cuidados veterinários, esterilização e mais, financiados por doações e parcerias com grandes marcas. Para saber mais, acesse:  Link  



Por Alice Veloso - Publika. aí Comunicação 

Vai viajar com seu pet no Carnaval?

Entenda a importância de manter a rotina do animal, mesmo fora de casa



O Carnaval está chegando e muita gente aproveita o feriado prolongado para fazer uma viagem e relaxar com os amigos e a família. A diversão e o roteiro podem ficar ainda melhores se contarem também com a companhia dos pets, que são inseparáveis para muitos responsáveis. Porém, ao optar por levar o animal, é importante lembrar que não basta colocar todo mundo no carro e cair na estrada! Tirá-lo do ambiente em que está acostumado e da sua rotina requer alguns cuidados para garantir uma viagem tranquila para todos.


 

A alimentação merece atenção especial, já que estamos no período mais quente do ano e grande parte dos viajantes quer aproveitar os dias de calor nas regiões litorâneas. “Durante as viagens, é importante não alterar a rotina alimentar e a dieta do animal a fim de evitar quaisquer alterações fisiológicas e comportamentais, como diarreia, vômito e rejeição, por exemplo”, comenta Amanda Arsoli, supervisora do departamento de Treinamento Técnico Comercial da Adimax.


 

Amanda Arsoli dá algumas dicas do que fazer para que todos aproveitem ao máximo o Carnaval e curtam sua viagem, inclusive os animais:

 

- Leve o alimento que o pet consome na quantidade adequada para os dias de viagem. Não conte com a possibilidade de encontrar o alimento habitual da mesma marca e tipo no destino, a fim de evitar imprevistos;

 

- a ração é a opção mais prática para ser levada em viagens, além de ser um alimento completo e balanceado. Existem, inclusive, opções de embalagens fracionadas, super práticos para serem transportados;

 

- leve também acessórios como comedouro, bebedouro, toalhas, brinquedos e caminha para que ele se adapte rapidamente à mudança de ambiente;

 

- procure manter os horários das refeições do animal;

 

- em um primeiro momento, o pet pode apresentar oscilações no apetite, e até dúvidas sobre onde fazer suas necessidades. Nessas situações pode ser interessante adicionar “algo ainda mais gostoso” na ração – como um alimento úmido, por exemplo;

 

- ofereça água limpa e fresca à vontade ao animal, principalmente agora no verão, quando os dias são mais quentes;

 

- deixe os passeios e as brincadeiras para os horários mais frescos do dia, quando o sol não está muito forte. Atividades físicas durante momentos muito quentes não são indicadas, pois o chão quente pode queimar as patas do animal e o calor excessivo ainda pode ocasionar em respiração muito ofegante, desmaios e até insolação;

 

- evite levar o animal a bloquinhos e ambientes com música alta e muita gente. A movimentação e o barulho excessivo podem causar incômodo e deixa-lo agitado e, ao invés de curtição, a folia pode provocar estresse;

 

- mantenha a carteirinha de vacinação em dia e leve-a sempre com você, pois algumas regiões e hotéis exigem essa documentação. Além disso, mantenha o controle de ectoparasitas atualizado, já que, ao viajar, o pet fica exposto a um novo ambiente e ao contato com outros animais;

 

- nas viagens de carro, utilize caixa de transporte, pois responsáveis que viajam com animais soltos são passíveis de multas pelo Código de Trânsito Brasileiro;

 

- para mais segurança, priorize o uso da coleira com identificação e guia em ambientes externos, especialmente em locais movimentados;

 

- certifique-se que o local no qual irá se hospedar e os lugares que planeja visitar aceitam animais de estimação em suas instalações.



 

ADIMAX - Fundada em 2002, a Adimax é uma das maiores fabricantes de pet food do Brasil, com um portfólio completo de produtos que atendem aos mais diversos perfis de tutores e pets. Entre as marcas de destaque estão a Fórmula Natural, Origens, Magnus e Qualidy. Atualmente, possui unidades em Salto de Pirapora (SP), Abreu e Lima (PE), Uberlândia (MG), Juatuba (MG), Goianápolis (GO), Feira de Santana (BA) e Mandirituba (PR), e Centros de Distribuição nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

 


Por Thais Gobbi  - JTCom Consultoria  

Leitura que late e mia: 10 livros para quem ama pets




Brasil reúne mais de 94 milhões de cães e gatos, segundo o IBGE; títulos da Elo Editora e da PeraBook celebram afeto, cuidado e a convivência entre humanos e animais



O Brasil é um dos países mais apaixonados por animais de estimação. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE (2023), há 54,6 milhões de cães e 39,1 milhões de gatos vivendo em lares brasileiros. Com esse vínculo cada vez mais presente, livros que abordam o universo dos animais se consolidam para quem ama pets. Selecionamos títulos mais do que especiais da Elo Editora e da PeraBook para ler e se divertir.



ELO EDITORA

O cachorro bom de bola
História divertida sobre um cachorro que adora futebol e participa das partidas do bairro, criando memórias afetivas.

Ficha TécnicaAutor: Luis Fernando Verissimo
Ilustrações: Catarina Bessell
Ano: 2025
ISBN: 978-65-6142-122-5
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 60
Valor sugerido: R$ 64
Com audiodescrição e acessibilidade em Libras




Vira-Lata Caramelo
Tributo ao cão brasileiro icônico — leal, corajoso e generoso em episódios cheios de humor.

Ficha Técnica
Autor: Lucas de Sena
Ilustrações: Matheus Furtado
Ano: 2024
ISBN: 978-65-6142-071-6
Formato: 23 x 23 cm
Páginas: 32
Valor sugerido: R$ 70
Com audiodescrição e acessibilidade em Libras



O gato subiu no teclado
História que celebra o afeto: um gatinho brinca com as teclas do computador e, sem querer, escreve palavras — e “amor” é a primeira delas.

Ficha técnica:
Autor: Mariana Mesquita
Ilustrações: Rafa Antón
ISBN: 978-65-80355-67-9
Ano: 2023
Formato: 20x24 cm
Páginas: 36
Valor Sugerido: 53
Com audiodescrição e acessibilidade em Libras



O pulo do gato
Narrativa sobre coragem e superação: um gato determinado tenta realizar seu pulo perfeito e descobre que cada tentativa fortalece sua confiança.

Ficha técnica:
Autor: Cláudio Fragata
Ilustrações: Fê
ISBN: 978-65-80355-73-0
Ano: 2023
Formato: 16 × 23 cm
Páginas: 40
Valor Sugerido: 53
Com audiodescrição e acessibilidade em Libras




A mágica história de um livro encontrado
Um menino encontra um livro misterioso e, ao lado de um gato silencioso, descobre histórias sobre empatia e afeto.

Ficha técnica:
Autora: Stella Maris Rezende
Ilustrações: Sid Meireles
ISBN: 978-65-89945-77-2
Ano: 2023
Formato: 16 × 23 cm
Páginas: 52
Valor Sugerido: 56
Com audiodescrição e acessibilidade em Libras




Pipoca e Picolé
 Dois cães com personalidades opostas que descobrem que suas diferenças os tornam uma dupla inseparável.

Ficha técnica:
Autor: Adriana Lisboa
Ilustrações: Ana Cardia
ISBN: 978-65-80355-79-2
Ano: 2023
Formato: 17,5 x 23,5 cm
Páginas: 36
Valor Sugerido: 66
Com audiodescrição e acessibilidade em Libra
s



PERABOOK

O Gato Gaiato
 Um gatinho esperto se mete em pequenas confusões enquanto explora a casa, aproximando leitores da ternura felina.

Ficha técnica:
Autores: Carol Naine e Daniel Kondo
Ilustrações: Daniel Kondo
ISBN: 978-65-6121-140-6
Ano: 2025
Formato: 20 x 20 cm
Páginas: 32
Valor Sugerido: 63
Com audiodescrição e acessibilidade em Libras



Olinda e Mia 
A delicada relação entre uma menina e sua gatinha, marcada por cuidado, acolhimento e descobertas.

Ficha técnica:
Autor: Gianni Gianni
Ilustrações: Juliana Eigner
ISBN: 978-65-6121-195-6
Ano: 2025
Formato: 23 x 23 cm
Páginas: 28
Valor Sugerido: 67
Com audiodescrição e acessibilidade em Libras


Lili queria um cachorrinho
 Uma menina chamada Lili sonha em ter um cachorrinho, vivendo expectativas e descobertas enquanto tenta convencer a família.

Ficha Técnica:
Autor: Manuela Tasca 
Ilustrações: Manuela Tasca 
ISBN: 978-65-6121-059-1 
Ano: 2024 
Formato: 23 x 23 cm 
Páginas: 36
Valor Sugerido: 65
Com audiodescrição e acessibilidade em Libras



Arquivo Confidencial Ultrassecreto da Madá
 O pai de Madá consegue um emprego melhor em outra cidade e ela é obrigada a abandonar a vida que tanto amava — o que acha a maior injustiça do mundo. Além disso, tem o SandCat…

Ficha Técnica:
Autor: Shirley Souza
Ilustrações: Kleverson Mariano
ISBN: 978-65-6121-054-6
Ano: 2024
Formato: 20 x 24 cm
Páginas: 88
Valor sugerido: R$ 75
Com audiodescrição e acessibilidade em Libras



Elo Editora: Editora que, desde 2011, leva a literatura a todos os cantos do país. Acredita que a leitura pode transformar a sociedade, valorizando a vida das pessoas e dando sentido e novos significados a ela. Para contribuir na construção de um mundo inclusivo, oferece acessibilidade em todos os seus livros, com recursos de audiodescrição e Libras.


 

PeraBook Editora: A PeraBook Editora, do Grupo Elo Editorial, foi criada com o objetivo de levar para a literatura infantojuvenil temas contemporâneos importantes por meio de projetos de leitura. Seu catálogo se baseia em debates fundamentais, como a necessidade de se voltar para educação socioemocional e a de promover o respeito à diversidade e à pluralidade de ideias.



Por Carla Falcão - Jô Ribes Comunicação

FEBRACA lança mapeamento inédito e expõe a realidade da proteção animal no Brasil

1º Relatório de Impacto da Causa Animal revela que 82% das organizações não possuem equipe contratada,

72% nunca receberam emendas parlamentares e 56,1% das ONGs conseguem realizar apenas de uma a cinco adoções mensais




A Federação Brasileira da Causa Animal (FEBRACA) lançou hoje, 4 de fevereiro, o 1º Relatório de Impacto da Causa Animal no Brasil, um estudo pioneiro que mapeou 2.613 organizações não governamentais ativas no país. O documento, construído a partir de dados consolidados, traz à luz a fragilidade estrutural do terceiro setor voltado aos animais: 76% das ONGs citam a falta de recursos financeiros como sua principal dificuldade, operando em um cenário de urgência constante, apesar do Brasil possuir o terceiro maior faturamento do mercado pet mundial, estimado em R$ 77 bilhões.



O relatório apresenta um diagnóstico claro sobre a capacidade operacional das instituições que atuam na linha de frente do bem-estar animal. A precariedade administrativa impacta diretamente a eficácia do acolhimento: atualmente, existem cerca de 4,8 milhões de animais em situação de vulnerabilidade, e a taxa de ocupação nos abrigos revela um cenário de saturação, onde para cada três animais que entram, apenas um consegue sair por meio da adoção.



Fragilidade Estrutural e Gestão 


O levantamento traça um perfil alarmante sobre a estrutura organizacional do terceiro setor animal: 82,2% das instituições atuam sem nenhum colaborador remunerado, dependendo inteiramente de uma força de trabalho voluntária que, em 70% dos casos, opera na informalidade sem a assinatura de termos de adesão previstos em lei. Esses dados se refletem também na governança, visto que 61% das ONGs não possuem um portal de transparência com relatórios financeiros ou de atividades, dificultando a construção de credibilidade junto à sociedade e investidores.



Isolamento Financeiro 


A asfixia orçamentária é citada como a principal dificuldade por 76,1% das organizações, um dado que se explica pelo isolamento das entidades em relação às grandes fontes de fomento. O relatório aponta que 79% das ONGs não possuem parcerias com empresas privadas e 73% nunca firmaram convênios ou contratos de repasse de recursos com o poder público. A desassistência governamental é severa, com 72% das instituições afirmando nunca terem recebido emendas parlamentares, sobrevivendo majoritariamente de doações esporádicas de pessoas físicas (62%).



Gargalo Operacional e Necessidades Reais 


O impacto direto dessa escassez de recursos e gestão profissional é a baixa rotatividade nos abrigos: mesmo superlotadas, 56,1% das ONGs conseguem realizar apenas de 1 a 5 adoções mensais. Para reverter esse quadro de estagnação, as entidades clamam por flexibilidade no uso dos recursos, evidenciando por que 78,1% preferem receber doações financeiras em vez de produtos, verba essencial para custear despesas estruturais, veterinárias e de pessoal que a simples doação de ração não consegue cobrir.



Gestão estratégica gera resultados eficientes


Apesar dos desafios, o documento aponta caminhos promissores através da profissionalização. O programa "MentoraPet", uma iniciativa de fortalecimento institucional destacada no relatório, demonstrou que a gestão estratégica gera resultados imediatos: as ONGs participantes registraram um aumento de 255% na receita e triplicaram o número de parceiros ativos em apenas cinco meses. O relatório também sublinha o potencial inexplorado de articulação política e fiscal, estimando que propostas legislativas de incentivo, como a dedução no Imposto de Renda, poderiam gerar até R$ 1 bilhão anual para cuidados animais.



"Este relatório é um divisor de águas, pois transforma o amor pelos animais em dados concretos que não podem mais ser ignorados. Os números mostram que o abandono deixou de ser invisível, mas também revelam que a conta da compaixão não fecha sem estrutura. Ver que 79% das ONGs ainda não possuem parcerias com empresas privadas é um alerta, mas os resultados do nosso programa de mentoria provam que, com gestão profissional, podemos reverter esse quadro e garantir um futuro digno para os milhares de animais que dependem do nosso trabalho", explica Cadu Pinotti, Presidente da FEBRACA.



Para ter acesso ao 1º Relatório de Impacto da Causa Animal no Brasil na íntegra, basta seguir as redes sociais da Federação, que em breve lançará a versão pública.




A FEBRACA (Federação Brasileira da Causa Animal) é uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de conectar, apoiar, fortalecer e representar as ONGs de proteção animal do país. A instituição visa trazer o debate dessa temática, tendo como premissa melhorar todo o ecossistema, seja sociedade, poder público e entidades, com foco em benefício direto para as pequenas organizações que atuam na ponta. A entidade realiza mentorias, capacitações, projetos personalizados e proposições de políticas públicas mais efetivas em todo país.




Por Thiago Rodrigues - FEBRACA