Animais de estimação devem entrar na pauta da gestão condominial, aconselha especialista

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O Brasil tem a 3ª maior população pet do mundo, e eles não estão só nos quintais. Censo Condominial 2026 mostra que 10% dos apartamentos já abrigam animais e SinPatinhas, do governo federal, já tem 1 milhão de cadastros


Os animais de estimação vêm ganhando mais protagonismo no cotidiano das famílias brasileiras. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o Brasil tem a 3ª maior população pet do mundo, entre 150 e 160 milhões de bichos. De acordo com o governo federal, mais de 1 milhão de pets brasileiros já têm uma carteira de identidade por meio do Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos, o SinPatinhas. E não tem só quem tem quintal. Quando olhamos para os condomínios não é diferente.


Censo Condominial 2026, consolidado com dados do IBGE, da Receita Federal, da FGV e da uCondo, mostra que 10% dos condomínios da base da uCondo possuem algum pet entre seus moradores. Para Léo Mack, Cofundador e Diretor de Operações da uCondo, esse dado sugere a importância de considerar os animais no planejamento e na gestão da vida em condomínio.


A uCondo é uma empresa referência em tecnologia para condomínios, que oferece sistema e app para facilitar a gestão de síndicos e administradoras. Atualmente, mais de 700 mil usuários estão cadastrados no app e 38.956 animais estão registrados no sistema. Os cães são maioria, com 66%, seguidos pelos gatos, com 31%. Os 3% restantes incluem aves (1,6%)coelhos (0,4%)roedores (0,4%) entre outros (0,6%).


Apesar da presença expressiva dos animais nos condomínios, o Censo mostra que menos de 1% dos condomínios conta com áreas dedicadas exclusivamente aos pets, como parquinhos ou espaços de convivência. “Hoje, isso pode influenciar diretamente na escolha de uma família por morar ou não em um condomínio”, afirma Léo.
 

No Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos do governo federal, o SinPatinhas, cada animal recebe uma identificação única, com uma foto 3x4, além de informações como nome, data de nascimento, cor da pelagem, espécie (cão ou gato), sexo e cidade. O registro também informa nome e contato do tutor para casos de perda ou fuga do animal. E como quem achá-lo terá acesso ao contato? O SinPatinhas gera um QRCode para a ID que pode ser impresso e colocado na coleira do pet. “O sistema foi lançado há menos de um ano e a forte adesão dos tutores mostra a preocupação deles com seus pets”, observa Léo.
 

Além disso, uma pesquisa da Opinion Box, que ouviu mais de mil tutores de animais em todo o país, indica que 77% dos brasileiros gastariam quanto fosse necessário para manter seus pets saudáveis e seguros. Além disso, 50% dos tutores consideram muito importante (33%) ou importante (17%) que os lugares que frequentam aceitem animais, e 45% já deixaram de ir a locais que não são pet-friendly.


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Convivência com os pets e guarda responsável


O cofundador da uCondo aponta como ter ou não um espaço dedicado aos bichos muda a dinâmica do condomínio. “O uso de áreas comuns pelos animais é o terceiro motivo de mais reclamações dos moradores quando o assunto é pet. Criar um espaço pet evita o uso indevido de jardins ou parquinhos para crianças, e neste caso é também uma questão de segurança para elas. Isso contribui para a boa convivência entre os moradores”, explica.

 

Entre os principais motivos de reclamações envolvendo pets apontados no Censo Condominial 2026, o barulho lidera a lista, com 46% das queixas. Em seguida, aparecem problemas relacionados à higiene (27%), ao uso inadequado das áreas comuns (18%) e, por fim, ao comportamento dos pets (9%).
 

De acordo com o executivo, essas ocorrências podem ser reduzidas se houver um regulamento interno do condomínio que trate da presença dos animais com equilíbrio, que concilie o direito de ter animais com orientações práticas para o uso compartilhado dos espaços, com regras claras e realistas. Confira dicas do Léo Mack que podem ser adotadas por qualquer condomínio:

  • Fazer o uso de guia nas áreas comuns, medida que ajuda a evitar acidentes e dá mais controle aos tutores durante a circulação pelos corredores, elevadores e jardins.
     
  • Recolher imediatamente as fezes dos animais e lavar a urina, mantendo os espaços compartilhados limpos e agradáveis para todos.
     
  • Fazer o cadastro de todos os pets do condomínio e mantê-lo atualizado (com nome; foto; raça; porte; informação de condição especial, se houver; nº do apartamento; tutor e contato), medida importante para controle do síndico, criação/adaptação de regras e facilidade de compartilhamento em caso de perda ou fuga.
     
  • Comunicação transparente entre síndico e moradores, seja para avisos, estabelecimento de regras, pedidos de ajuste no comportamento do pet, pedidos de concessão para situações específicas (um animal doente, por exemplo) e escuta mútua. “Embora as regras estejam redigidas e aprovadas, manter um diálogo só reforça a boa convivência acima de tudo”, enfatiza Léo Mack. “Um condomínio é uma comunidade em convivência.”


uCondo – Fundada em 2015 por Marcus Nobre (CEO), Léo Mack (COO), Juliano Corso (CTO) e Ivan Benkendorf (PM), em Curitiba (PR), a uCondo é uma empresa referência em tecnologia para condomínios, que oferece sistema e app para facilitar a gestão de síndicos e administradoras. Desenvolveu uma Inteligência Artificial (IA) disponível 24 horas por dia, pronta para resolver desde questões simples até desafios complexos relacionados a finanças, legislação e à rotina condominial. A uCondo já atende 7 mil condomínios, com mais de 700 mil usuários no aplicativo. Em 2024, a uCondo lançou a CondoEduca, uma plataforma educativa com cursos para síndicos e administradoras de condomínios. Saiba mais em ucondo.com.br.


Por Fernanda Brabo - Maya

Onçafari abre votação para nomear raros trigêmeos de onça-pintada no Cerrado

O registro de três filhotes é um evento raro que representa menos de 9% das ninhadas da espécie


O Onçafari com o apoio da Plataforma Semente, iniciativa do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em parceria com o CeMAIS, registrou em 2025 o nascimento de uma ninhada de trigêmeos de onça-pintada no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais. Os filhotes, que agora completam aproximadamente um ano e três meses, continuam sendo monitorados regularmente por meio do projeto Onças: Guardiãs do Grande Sertão Veredas. Para celebrar o crescimento dos trigêmeos, o Onçafari convida o público a escolher os nomes definitivos dos filhotes por meio de uma votação aberta.




Para a votação pública, o Onçafari selecionou opções de nomes inspirados na flora e referências gerais do bioma Cerrado, como Pequi, Mangaba, Jaborandi, Murici, Kokwã, Mambaí e outros. O envolvimento da população na identificação das onças tem como objetivo estreitar o vínculo entre a sociedade e a conservação do meio ambiente. A votação é realizada por um formulário online, aberto até o dia 10 de maio.

 

A ocorrência de trigêmeos é considerada incomum para a espécie. Segundo o estudo “Unveiling demographic and mating strategies of Panthera onca in the Pantanal, Brazil”, publicado pelo Onçafari, menos de 9% das ninhadas registradas no Pantanal possuem três filhotes. A ninhada, que vive no Cerrado, reforça a importância do monitoramento contínuo da espécie para a sua proteção e a manutenção do equilíbrio do ecossistema.

 

Até o momento, os registros somam 56 vídeos divididos entre os três indivíduos, identificados temporariamente como Filhotes 22, 23 e 24. O acompanhamento por câmeras instaladas no parque permite observar o deslocamento e o desenvolvimento dos felinos, fornecendo dados essenciais para a preservação da biodiversidade local. “Os filhotes permanecem sob os cuidados da mãe e observamos que ela adota uma estratégia de proteção incomum ao não sair com toda a ninhada simultaneamente. Na maioria das vezes não estão os três filhotes juntos, a mãe sai apenas com um filhote ou dois, garantindo que ao menos um estará protegido”, explica Edu Fragoso, biólogo do Onçafari e coordenador do projeto no PNGSV.

 

A iniciativa do Onçafari busca transformar dados científicos em narrativas que engajem a população na proteção da fauna brasileira. O processo de votação marca uma nova etapa no monitoramento desses indivíduos, cujas trajetórias únicas contribuem para a história da conservação no Grande Sertão Veredas.
 

Para conhecer as onças trigêmeas, assista ao vídeo “Toda história começa com um nome”, disponível no YouTube do Onçafari.

 



O Onçafari é uma Organização Não Governamental que tem como missão conservar a biodiversidade brasileira através da proteção de áreas naturais e do apoio ao desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais. Trabalhamos pela preservação da biodiversidade em 4 biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica com oito frentes de atuação: Ecoturismo, Ciência, Educação, Reintrodução, Social, Florestas, Anti-incêndio e Advocacy. Em 2025, o Onçafari foi eleito pela segunda vez entre as 100 melhores ONGs do Brasil. Mais informações em www.oncafari.org.


 

A Plataforma Semente conecta o MPMG, em parceria com o CeMAIS, à sociedade, viabilizando iniciativas que envolvem diferentes protagonistas na conservação do meio ambiente natural, cultural e urbanístico, entre outros. É hoje o maior banco de projetos socioambientais do estado de Minas Gerais, representando uma alternativa segura e democrática para que os Promotores de Justiça possam destinar recursos de medidas compensatórias ou indenizatórias a projetos de relevante interesse socioambiental, que proporcionem resultados à toda a sociedade. 



Por Amanda Menezes - Assessoria do Onçafari

Brasil soma 35,7 milhões de cães e gastos com saúde podem superar R$ 3 mil ao ano, impulsionando busca por planos veterinários

Com mais pets nos lares, planos de saúde ganham espaço como alternativa para diluir gastos e incentivar a prevenção veterinária



O Brasil ocupa atualmente a segunda posição no ranking mundial de países com maior população de cães. Segundo levantamento da WordAtlas, o país soma cerca de 35,7 milhões de cães, atrás apenas dos Estados Unidos, que lideram a lista com 75,8 milhões. Os dados reforçam a dimensão do mercado pet nacional e explicam uma mudança clara no comportamento dos tutores: o cuidado veterinário deixou de ser pontual e passou a exigir planejamento ao longo do ano.


 

Com os cães cada vez mais integrados à dinâmica familiar, o cuidado veterinário deixou de ser restrito a situações emergenciais. Consultas periódicas, exames preventivos e acompanhamentos de rotina se tornaram práticas comuns. Esse movimento, no entanto, tem impacto direto no orçamento. De acordo com especialistas do setor, os gastos básicos com saúde veterinária podem ultrapassar R$ 3 mil por ano, considerando consultas clínicas, exames laboratoriais e procedimentos preventivos.


“O cuidado contínuo permite acompanhar a saúde do cão ao longo do tempo e agir antes que um problema se agrave”
 

Diante desse cenário, cresce a busca por alternativas que permitam diluir custos e garantir previsibilidade financeira. Os planos de saúde para cães surgem como uma solução que alia economia e acesso contínuo a cuidados veterinários — avaliações clínicas regulares, exames laboratoriais e check-ups ajudam a identificar doenças ainda em fases iniciais -, evitando tratamentos mais complexos no futuro, além do desgaste emocional. Médicos veterinárias reiteram que esse acompanhamento é especialmente importante para cães adultos e idosos, fase em que problemas renais, hepáticos e metabólicos tendem a surgir com mais frequência.


 

“O cuidado contínuo permite acompanhar a saúde do cão ao longo do tempo e agir antes que um problema se agrave”, explica Pedro Filizzola, CMO da Dog Life. Segundo ele, a mudança reflete uma evolução no comportamento dos tutores, que passaram a priorizar a prevenção em vez de agir apenas de forma reativa.


 

Quando o acompanhamento preventivo não acontece, os custos tendem a se concentrar em atendimentos emergenciais, que além de mais caros, exigem decisões rápidas e pouco planejadas. “O aumento da população canina exige uma abordagem mais estratégica em relação à saúde”, completa Filizzola. “A prevenção, aliada ao planejamento financeiro, é hoje um dos caminhos mais eficientes para garantir bem-estar e longevidade aos cães.”


 

O crescimento da população pet no Brasil reforça a consolidação da saúde canina como um cuidado contínuo e mais estruturado. De acordo com dados divulgados pela Health for Animals (2023) — organização internacional que reúne empresas desenvolvedoras e fabricantes do setor — o mercado brasileiro de saúde animal já movimenta aproximadamente US$ 1,7 bilhão por ano, colocando o país entre os principais polos globais do segmento. Esse avanço é impulsionado pela maior conscientização dos tutores, pela profissionalização do setor e pela ampliação de soluções voltadas à medicina veterinária preventiva.
 


A Dog Life, marca que integra a Life Pet Hub, é pioneira em planos de saúde para cães no Brasil e tem como propósito facilitar o acesso dos tutores a cuidados veterinários de qualidade em todo o país. Com foco em prevenção, acompanhamento contínuo e bem-estar animal, a marca oferece diferentes opções de planos que incluem consultas, exames, vacinas e outros serviços essenciais para a saúde dos cães. Com uma experiência simples, prática e sem burocracia, a Dog Life conecta os pets a uma ampla rede de clínicas e hospitais veterinários credenciados, ajudando os tutores a terem mais previsibilidade, segurança e tranquilidade no cuidado diário com seus animais.

Mais informações em - Dog Life: Link 




Por Bianca Fontana Forcan - Máquina

Outono chega e acende alerta para a saúde dos pets

 

Morgana Prado, especializada em pets não convencionais do Hospital Veterinário Taquaral  Crédito: Vinícius Ferraz

Clima mais seco e variações de temperatura podem favorecer problemas respiratórios, de pele e articulares


Com a aproximação do outono, as mudanças climáticas começam a impactar também os animais de estimação. A queda gradual das temperaturas, a maior variação térmica entre dia e noite e o ar mais seco criam um cenário que exige atenção dos tutores para prevenir problemas de saúde em cães, gatos e em animais não convencionais.
 

Segundo a médica-veterinária Dra. Morgana Prado, especialista em pets não convencionais do Hospital Veterinário Taquaral (HVT), a nova estação favorece o surgimento ou agravamento de algumas doenças. “O clima mais seco pode provocar ressecamento da pele e das mucosas, enquanto a variação de temperatura aumenta o risco de problemas respiratórios, principalmente em animais idosos ou com doenças pré-existentes”, explica.
 

Entre os cães e gatos, um fenômeno bastante comum nesta época é a troca sazonal de pelagem. A queda de pelos tende a aumentar e, no caso dos gatos, pode ocorrer maior formação de bolas de pelo. Além disso, o frio pode intensificar dores articulares, especialmente em cães idosos ou de grande porte que já apresentam problemas ortopédicos.


O gatinho Jon aquecido nos dias de clima mais fresco - Divulgação

Alguns sinais merecem atenção dos tutores, como dificuldade para levantar, caminhar com rigidez, relutância para subir escadas ou menor disposição para brincar. “Esses comportamentos indicam desconforto ou dor nas articulações e devem ser avaliados por um médico-veterinário”, orienta a especialista.

 

Outro ponto importante no outono é a hidratação, especialmente entre os gatos, que costumam beber menos água em períodos mais frios. A ingestão hídrica reduzida pode gerar alterações urinárias. Para estimular o consumo de água, a recomendação é espalhar potes pela casa, utilizar fontes e incluir alimentos úmidos na dieta.



O cãozinho Albert Einstein protegido para passear - Divulgação

A rotina de higiene também merece alguns ajustes. Os banhos podem ser um pouco menos frequentes nas regiões onde o frio se intensifica, mas não precisam ser suspensos. O mais importante é utilizar água morna e garantir uma secagem completa da pelagem para evitar problemas de pele e queda de imunidade.

 

Mesmo com a mudança de estação, a prevenção contra pulgas, carrapatos e outros parasitas deve continuar durante todo o ano. “Esses organismos conseguem sobreviver em ambientes protegidos, como dentro de casa ou em quintais, e continuam sendo um risco para os animais”, alerta a veterinária.


 

Atenção também aos pets não convencionais
 

As mudanças do outono também afetam animais considerados não convencionais, como aves, coelhos, roedores e répteis, que muitas vezes são ainda mais sensíveis às variações ambientais.

As aves, por exemplo, possuem sistema respiratório delicado e metabolismo elevado. Correntes de ar e mudanças bruscas de temperatura podem causar estresse térmico e predispor a infecções respiratórias. Por isso, a gaiola deve ficar em local iluminado e ventilado, mas protegida de vento direto, ar-condicionado ou ventiladores.


Nos dias frios o feno continua sendo essencial na alimentação dos coelhos, ajudando na produção de calor metabólico - Divulgação


Coelhos e roedores também exigem cuidados com o ambiente. O ideal é manter o alojamento protegido de correntes de ar, com temperatura estável e local de descanso seco e confortável. O feno continua sendo essencial na alimentação dos coelhos, ajudando inclusive na produção de calor metabólico.
 

Já no caso de répteis, como jabutis e tartarugas, a queda de temperatura pode interferir diretamente no metabolismo. Como são animais ectotérmicos — ou seja, dependem do calor externo para regular o corpo —, é fundamental garantir aquecimento adequado no ambiente, com lâmpadas térmicas e iluminação com emissão de UVB, que contribui para o metabolismo do cálcio e a saúde óssea.


Refúgios devem ser providenciados nas gaiolas - Divulgação



Independentemente da espécie, a observação diária continua sendo uma das principais ferramentas de cuidado. Alterações de comportamento, perda de apetite, dificuldade respiratória, vômitos, letargia ou mudanças repentinas na rotina do animal devem motivar avaliação veterinária.

 

“Os pets fazem parte da família e dependem dos tutores para manter seu bem-estar. Pequenos cuidados no ambiente, na alimentação e na rotina ajudam muito a protegê-los das mudanças do clima”, destaca a Dra. Morgana.





Hospital Veterinário Taquaral – Campinas SP

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Endereço: Av. Heitor Penteado, 311, Taquaral (em frente ao portão 6 da Lagoa) – Campinas SP

Funcionamento: 24 horas, sete dias por semana

Telefones: (19) 3255-3899 / WhatsApp: (19) 99256-5500




Por Kátia Nunes - AMZ Comunicação 

ESTREIA Coluna DOG CORNER - O mito do empreendedor pet sofredor: Quando o problema não é o mercado, é a falta de método

Denise Neves, especialista em comportamento canino e sócia da Dog Corner

Especialista em comportamento canino, Denise Neves aponta falhas de gestão como principal desafio do setor pet e defende profissionalização dos negócios



O mercado pet cresce no Brasil, mas muitos empreendedores ainda enfrentam dificuldades para transformar a demanda em resultados consistentes. Para Denise Neves, especialista em comportamento canino e sócia da Dog Corner, essa leitura, na maioria das vezes, esconde um problema mais profundo: a falta de método na gestão.


Na prática, muitos negócios do setor nascem sustentados pelo afeto aos animais, mas sem estrutura operacional. “É muito comum vermos empresas com falhas básicas de gestão: ausência de processos, falta de indicadores, desorganização financeira e uma operação completamente dependente do dono”, explica ela.


Esse cenário, segundo Denise, gera um ciclo de frustração. Sem resultados consistentes, muitos empreendedores culpam o mercado, quando na verdade enfrentam falhas na administração.


Gestão ainda é gargalo no setor
Mesmo em um mercado técnico, a gestão segue como um dos principais desafios.

“Muitos empreendedores começam com excelente domínio do serviço, mas pouca estrutura administrativa. Sem método, o negócio vira uma sucessão de improvisos”, afirma Denise.

Para ela, o conceito de “método” envolve um conjunto de práticas essenciais: planejamento, controle financeiro, definição de metas, padronização de atendimento, posicionamento claro e gestão de equipe. Sem esses elementos, a operação tende a se tornar instável e difícil de escalar.


Perfil sobrecarregado e centralizador
Denise também identifica um perfil recorrente entre empreendedores que enfrentam dificuldades: o profissional extremamente operacional, que centraliza decisões e tem dificuldade de delegar.

“É alguém que trabalha o tempo todo apagando incêndios e acredita que o problema será resolvido com mais horas de trabalho. Mas, sem organização, mais esforço só aumenta o desgaste”, analisa a especialista.

Esse modelo de atuação, além de comprometer o crescimento do negócio, impacta diretamente a qualidade de vida do próprio empreendedor.


Problema interno ou externo?
Diferenciar desafios de mercado de falhas internas é, segundo Denise, um passo fundamental para ajustar a rota do negócio.

“Quando o mercado está difícil, isso tende a afetar vários players. Mas sinais como baixa conversão, margem apertada, dificuldade de fidelização e dependência de promoções indicam problemas estratégicos ou operacionais”, explica.

Para ela, a análise deve ser baseada em dados, e não apenas em percepções. “A concorrência existe para todos. O diferencial está na consistência da gestão e da entrega”, completa.


Denise Neves, especialista em comportamento canino e sócia da Dog Corner

Pequenas mudanças, grandes impactos
Apesar do diagnóstico, Denise destaca que não são necessárias mudanças complexas para começar a transformar o negócio. Ajustes simples já podem gerar impacto direto.

Entre eles, ela cita a organização do fluxo de atendimento, padronização de processos, acompanhamento de indicadores básicos, separação entre finanças pessoais e empresariais, revisão de precificação e criação de uma rotina de gestão.

“No setor pet, a operação é muito sensível aos detalhes. Pequenos ajustes fazem diferença imediata na lucratividade, na experiência do cliente e no bem-estar da equipe”, afirma.


Profissionalização como caminho
Para quem está começando, Denise reforça a importância de estruturar o negócio desde o início.

“Amar os animais não substitui gestão. O setor exige sensibilidade, mas também disciplina, controle e visão estratégica”, diz.

Na avaliação dela, a profissionalização do mercado pet passa justamente por essa mudança de mentalidade: sair do improviso e construir negócios sustentáveis.

“Quem começa já olhando para processos, números e posicionamento tende a crescer de forma mais saudável e consistente”, finaliza.



A Dog Corner é uma empresa paulistana especializada em creche, hotel, banho e adestramento para cães. Fundada por André Cavalieri e hoje comandada por ele ao lado da sócia Denise Neves, a marca passou por rebranding e profissionalização da operação, consolidando-se como referência em gestão, segurança, comportamento canino e experiência do cliente. A empresa também prepara o lançamento de uma frente educacional voltada para capacitar empreendedores do mercado pet.




Por Izabel Santa Fe - Comunica PR