Do colo da Xuxa ao veterinário: por que o Yorkshire exige mais cuidados do que o tamanho sugere

Especialista  explica que a longevidade da raça exige acompanhamento veterinário contínuo e cuidados preventivos ao longo da vida 



Popular entre famílias urbanas e frequentemente visto ao lado de figuras públicas como a apresentadora Xuxa, o Yorkshire Terrier é uma das raças mais conhecidas e queridas do Brasil. Pequeno no porte e grande na personalidade, o York chama atenção não apenas pelo temperamento afetuoso, mas também por características que exigem cuidados específicos ao longo da vida.


 

Apesar da aparência delicada, o Yorkshire Terrier é um cão ativo, alerta e com expectativa de vida elevada, o que reforça a importância de acompanhamento veterinário contínuo. “Trata-se de uma raça com maior expectativa de vida, o que implica a necessidade contínua de prevenção, acompanhamento clínico regular da saúde ao longo do envelhecimento”, explica a médica-veterinária Manuela Lopes, supervisora regional assistencial da WeVets.


 

Entre as principais curiosidades da raça, está o fato de o Yorkshire não possuir subpelo. Essa característica contribui para a menor queda de pelos, mas faz com que a raça tenha menor proteção natural da pele e da regulação térmica, exigindo atenção contínua com cuidados dermatológicos. Além disso, a raça apresenta predisposição a alterações odontológicos, comuns em cães de pequeno porte, e a doenças cardíacas, que costumam evoluir de forma silenciosa com o avanço da idade.


 

“Questões odontológicas são muito frequentes em Yorkshire Terrier e, quando negligenciadas, podem gerar impactos sistêmicos, inclusive no coração. Por isso, o cuidado não deve ser pontual, mas recorrente”, afirma Manuela.


 

Outro ponto pouco conhecido é que, apesar do tamanho reduzido, o Yorkshire Terrier costuma apresentar comportamento destemido e ativo. Esse perfil pode levá-lo a saltos frequentes, quedas e movimentos bruscos, aumentando o risco de alterações ortopédicas ao longo do tempo, como por exemplo traumas articulares e luxação de patela. “Muitos tutores subestimam esse risco por se tratar de um cão pequeno, mas ele existe e precisa ser acompanhado”, alerta a especialista.


 

Dados internos da WeVets indicam um crescimento na procura por atendimento veterinário voltado ao cuidado preventivo, com reavaliações periódicas, refletindo um modelo assistencial cada vez mais próximo ao adotado na saúde humana. ‘Hoje, o tutor compreende que o cuidado com a saúde do pet vai além das situações de emergência. O acompanhamento contínuo junto ao hospital é um fator determinante para a longevidade e a qualidade de vida dos pacientes, completa a médica-veterinária”.


 

A popularidade do Yorkshire Terrier, reforçada pela presença constante da raça em lares e no convívio de celebridades, evidenciando uma mudança mais ampla no comportamento dos tutores brasileiros: os pets deixaram de ser atendidos apenas em momentos críticos e passaram a integrar uma rotina estruturada de cuidados com a saúde.


 

A popularidade do Yorkshire Terrier, reforçada pela presença constante da raça em lares urbanos e no convívio de celebridades, ajuda a evidenciar uma mudança mais ampla no comportamento dos tutores brasileiros: pets deixaram de ser tratados apenas em momentos críticos e passaram a integrar uma rotina estruturada de cuidados com a saúde.



Por Hélio Júnior - Focal3 Comunicação

O Oscar dos felinos brasileiros: Gato de Ouro consagra vencedores e ultrapassa 3,48 milhões de interações nas redes

Premiação criada pela Woolie celebrou talento, carisma e bem-estar animal em sete categorias, se destacando como uma iniciativa cultural e digital de sucesso



O tapete vermelho mais charmoso do universo pet brasileiro já tem seus grandes vencedores. O Gato de Ouro, concurso cultural idealizado pela Woolie, teve sua final realizada neste domingo, 25 de janeiro, e encerrou sua primeira edição consagrando gatos de todo o Brasil em uma celebração que uniu entretenimento, criatividade, cultura digital e respeito ao bem-estar animal. Inspirado no glamour das grandes premiações do cinema, o projeto conquistou o público e ultrapassou a marca de 3,48 milhões de interações nas redes sociais ao longo de sua realização.
 

Criado para ser o “Oscar dos felinos brasileiros”, o Gato de Ouro destacou o talento, a expressividade e o carisma dos gatos em sete categorias, inspiradas em gêneros cinematográficos e avaliadas por uma curadoria especializada e pelo voto popular.
 

Na categoria Comédia, o vencedor foi Frajolito (@frajolitogato), que conquistou os jurados com seu timing natural e carisma espontâneo. Já o prêmio de Melhor Atuação em Drama ficou com Morfeu (@gatinhomorfeu), reconhecido pela intensidade e expressividade que emocionaram a Academia.
 

O espírito aventureiro foi representado por Joaquim (@bechana_mimosa), vencedor da categoria Aventura, enquanto a categoria Musical consagrou o elenco formado por Romeo, Judihit, Freudinha, Luna e Craudinho (@romeo_eas_meninas), premiado pela performance coletiva e criatividade.




 

O prêmio de Melhor Elenco Felino foi concedido ao grupo composto por Marcelinho, Paulinho, Encantado, Raquelzinha, Michael Jackson e Rasta (@neroecia), destacando a força da atuação em conjunto e a conexão entre os felinos. Já o troféu de Melhor Figurino Felino ficou com Daniel (@danielgatoloiro), reconhecido pelo estilo e identidade visual marcante.
 

A categoria Fofura Absoluta, definida exclusivamente por votação popular, mobilizou o público de todo o país e teve como grande vencedor Boreal (@northern.lights.kitties), eleito pelos seguidores da Woolie nas redes sociais.
 

Ao longo do concurso, os vídeos e conteúdos publicados somaram mais de 2,5 milhões de interações, refletindo o forte engajamento da comunidade gateira e o alcance nacional da iniciativa. Enquanto a categoria Fofura Absoluta foi definida pelo público, as demais tiveram seus vencedores escolhidos pela Academia Brasileira de Artes Felinas, formada por jornalistas, fotógrafos, veterinários, especialistas em comportamento felino, empresários do setor pet e representantes de ONGs da causa animal, garantindo critérios técnicos, criativos e éticos na avaliação.




 

Além do reconhecimento simbólico, os vencedores de cada categoria receberam prêmios alinhados ao compromisso da Woolie e de seus parceiros com o bem-estar e o cuidado consciente com os felinos. Cada ganhador foi premiado com um Troféu exclusivo “O Gato de Ouro”, além de 1 ano de areia higiênica Duna da Woolie, com 12 pacotes de 4 kg, totalizando 48 kg de produto. Os vencedores também receberam 1 ano de ração Fórmula Natural Fresh Meat Gatos, somando 28 kg de ração, e o título oficial de Gato de Ouro 2026, símbolo máximo de estrelato felino.
 

“Acreditamos que os gatos são, por natureza, artistas. Eles têm personalidade, presença e carisma. O Gato de Ouro nasceu para transformar esse comportamento em cultura e para mostrar que o amor pelos felinos também é uma forma de expressão criativa e consciente”, afirma Daniel Mostacada, fundador e CEO da Woolie.
 

Fundada em 2020, a Woolie é a primeira marca brasileira de design especializada exclusivamente para gatos. Reconhecida por iniciativas como o blog Gateiro Consciente e o concurso O Gato SRD Mais Bonito do Brasil, que já soma mais de 12.500 gatos inscritos e 1,2 milhão de votos orgânicos ao longo de suas edições, a marca reforça com o Gato de Ouro seu posicionamento como uma plataforma que vai além do produto e cria movimentos culturais e de conexão entre humanos e gatos.
 

Realizado pela Woolie, com apoio da Fórmula Natural, o Concurso Cultural Gato de Ouro teve como objetivo valorizar os gatos, estimular a criatividade dos tutores e promover práticas que respeitam o comportamento natural e o bem-estar animal — incluindo regras que proibiram o uso de inteligência artificial ou edições que alterassem a aparência real dos felinos.


 

Mais informações sobre o concurso e seus vencedores estão disponíveis em gatodeouro.woolie.com.br.




Por Clarisse Florentino - DEEPR Comunicação

O verão chegou: como refrescar o pet durante os dias quentes?

A mestre da Faculdade Anhanguera explica que temperaturas elevadas podem ser prejudiciais à saúde dos animais



O verão é uma das estações mais amadas pelos brasileiros, mas com o calor intenso, os que mais sofrem e tem desconforto são os animais de estimação. De acordo com a Mestre e Coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, Paola Francini Favero, nesse período, a exposição ao calor excessivo é capaz de causar mal-estar nos bichinhos e os tutores devem estar atentos aos sinais e, principalmente, redobrar alguns cuidados.


Segundo a Mestre e docente da Anhanguera, durante o verão, os hospitais veterinários acompanham uma série de casos de hipertermia canina, uma condição gerada pelo aumento da temperatura corporal do animal e que pode até levar à morte. “Passear com o cachorro quando o sol está a pino e o deixar em ambientes superaquecidos, como o carro, são algumas das situações que não se deve submeter o pet, uma vez que eles são mais sensíveis ao calor.”


Assim como nós, humanos, os animais de estimação necessitam de hidratação reforçada para suportar as ondas de calor intensas. Porém, o que nos diferencia dos amigos de quatro patas é a maneira como é realizada a termorregulação, pois temos a transpiração para manter a temperatura corporal adequada. Já os animais precisam buscar alternativas que auxiliem nesse objetivo, para se manterem saudáveis, então, procuram por sombras, pisos gelados ou jardins e bebem mais água.


A Coordenadora explica como os tutores podem identificar os sintomas causados pela hipertermia. “Em situações extremas em que o pet não é capaz de baixar a própria temperatura, há possibilidade de ocorrer um quadro de desidratação que, eventualmente, pode desencadear um colapso respiratório. Além disso, o animal pode ter problemas como confusão mental, vômito, diarreia e convulsão, em alguns casos”, alerta.


CUIDADOS ESSENCIAIS  


A seguir, a especialista elenca situações de extremo risco para o animal e recomenda algumas práticas que devem ser adotadas por tutores para os dias quentes de verão:


- Não deixar o pet no carro: o recomendado é sempre levar o animalzinho com você, pois mesmo estacionando com o vidro aberto ou em local com sombra, é uma situação que ainda oferece risco à vida do pet.


- Passear em horários mais quentes do dia: evite caminhar entre as 10 e 16 horas, período em que a incidência de raios solares aumenta. Além de causar desidratação, é possível queimar as patinhas do animal.


- Deixar a casinha exposta ao sol: por se tratar de um local que não tem ventilação, todo calor ficará acumulado, transformando o espaço em estufa, trazendo grandes riscos à saúde.


- Sempre utilize focinheira com grade durante os passeios: Esse modelo permite que o animal abra a boca e coloque a língua para fora, o que é essencial para a termorregulação, a forma como o cão troca calor e evita o superaquecimento. Muitos tutores, por desconhecimento, acabam usando a mordaça, que impede a movimentação da boca e a exposição da língua. Esse tipo de acessório não deve ser usado para passeios, pois pode impedir a troca de calor e, em casos graves, levar o cão à óbito.


Em casos de desidratação ou insolação, retire o pet imediatamente do sol e o coloque em um local fresco e arejado. Deixe à disposição água fresca e, se puder, dê gelo. Além disso, use toalhas molhadas para auxiliar nesse processo de resfriamento. Se o mal-estar persistir, procure uma clínica veterinária que possa dar seguimento aos procedimentos necessários para recuperação.


COMO REFRESCAR O PET? 


Além de oferecer muita água para o amigo peludo, existem outras maneiras de tornar o verão mais confortável e divertido para o pet, como:


Gelo no pote de água: essa é uma maneira de incentivar a hidratação e preservar a temperatura do líquido.


Petiscos gelados: frutas congeladas são uma ótima opção para dias muito quentes, mas é importante se certificar se o alimento é indicado para cães. Lembrando que, se for investir em receitas caseiras, como, picolé de frutas, não pode usar açúcar.


Piscina ou banho de mangueira: essa dica é especialmente para quem deseja se divertir com o bichinho, uma ótima oportunidade para gastar a energia e equilibrar a temperatura. Porém, quando terminar de brincar lembre de secar bem o animal.


Ambiente e acessórios frescos: os cães adoram passar o dia deitados e investir em itens refrescantes, nesse período, ajudará no bem-estar do pet. Por isso, priorize tapetes gelados e o uso do ventilador, com moderação. 


Por Leticia Zuim Gonzalez - Cogna Educação

Como a rotina dos tutores pode impactar diretamente a saúde emocional dos pets




Imagem: Freepik
 

Especialista alerta que estresse, ausência e falta de rotina humana estão entre os principais gatilhos de ansiedade em cães e gatos



O ritmo acelerado da vida moderna, marcado por longas jornadas fora de casa, excesso de estímulos e altos níveis de estresse, não afeta apenas os humanos. Cada vez mais, cães e gatos têm apresentado sinais de desequilíbrio emocional diretamente ligados à rotina dos seus tutores. No mês do Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à conscientização sobre saúde mental, o alerta se estende também ao bem-estar emocional dos pets.


 

De acordo com a zootecnista Katiani Venturini, da Special Dog Company, os animais funcionam como verdadeiros “termômetros emocionais” do ambiente em que vivem. “Mudanças bruscas de rotina, ausência prolongada dos tutores, ansiedade dentro de casa e até o uso excessivo de telas impactam o comportamento dos pets, gerando estresse, ansiedade e alterações físicas”, explica.


 

Entre os sinais mais comuns estão vocalização excessiva, comportamentos destrutivos, lambedura compulsiva, apatia, agressividade e alterações no apetite. “Muitas vezes, esses comportamentos são interpretados como ‘birra’, quando, na verdade, são respostas emocionais a um ambiente desequilibrado”, destaca a zootecnista.


 

A construção de uma rotina previsível é um dos pilares para a saúde emocional dos animais. Horários definidos para alimentação, passeios, brincadeiras e descanso ajudam a reduzir a ansiedade, especialmente em cães.



Para os gatos, a organização do ambiente também é fundamental. “O enriquecimento ambiental, com prateleiras, arranhadores e brinquedos interativos, contribui para que o felino expresse seus comportamentos naturais e se sinta mais seguro”, orienta Katiani.


 

A alimentação também desempenha um papel importante nesse equilíbrio. Alimentos de alta qualidade nutricional promovem saciedade, auxiliam no funcionamento adequado do organismo e contribuem para o bem-estar geral do pet. “Um animal bem nutrido responde melhor aos estímulos do ambiente e tende a lidar melhor com situações de estresse”, afirma.


 

A socialização gradual e positiva, tanto com pessoas quanto com outros animais, completa esse cuidado emocional. “Ela fortalece a confiança e ajuda o pet a enfrentar novas situações de forma mais tranquila”, complementa.


 

Com mais de 20 anos de atuação no mercado pet, a Special Dog Company reforça seu compromisso com o bem-estar integral dos animais, indo além da nutrição. Por meio de informações educativas e de iniciativas como o programa Bem-Nutrir, que apoia ONGs e protetores independentes, a empresa busca ampliar o acesso ao conhecimento sobre cuidados físicos e emocionais dos pets.


 

“O Janeiro Branco é um convite para refletirmos sobre como nossas escolhas e nossa rotina influenciam diretamente a vida dos animais que convivem conosco”, conclui Katiani.


 

Ao identificar sinais persistentes de estresse ou ansiedade, é fundamental buscar orientação de um especialista em comportamento animal ou médico-veterinário.


 


Special Dog Company - Fundada no ano de 2001 na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, interior de São Paulo, a Special Dog Company nasceu com o desejo de alimentar cães e gatos com a alta qualidade e o carinho que eles merecem. Atualmente, a marca está presente em mais de 40 mil pontos de venda em nove Estados brasileiros e no Distrito Federal, além de exportar para países da América do Sul. Com quatro Centros de Distribuição localizados em Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Extrema (MG) e Uberaba (MG), a empresa se destaca como uma das maiores indústrias do segmento no Brasil, contando com 2.000 colaboradores.

Com o intuito de ser um agente transformador dentro da comunidade, a Special Dog Company atua fortemente na promoção de práticas sustentáveis, no sentido de construir um mundo melhor para as gerações futuras. Reconhecida pela pesquisa Great Place to Work (GPTW), a empresa se destaca por unir excelência em produtos e serviços com a valorização de seus colaboradores.




Por Equipe de Comunicação Special Dog - Race Comunicação




*Os artigos não expressam necessariamente a opinião da revista Bichos. Com, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.

Jumentos à beira da extinção: pesquisa brasileira pode mudar o destino da espécie

Pesquisadores da UFPR buscam investimento para escalar fabricação de colágeno e evitar abate e extinção de jumentos 


  • Técnica de fermentação de precisão é capaz de produzir a mesma matéria-prima extraída da pele dos jumentos e atender à demanda da China pelo produto, sem ameaçar a espécie 
  • Usado na indústria de beleza, saúde e nutrição funcional chinesa, o colágeno de jumentos abastece um mercado de US$ 700 milhões/ ano naquele país
  • Laboratório brasileiro espera captar US$ 2 milhões para iniciar produção em escala já em 2027


Com conclusão prevista para este ano, pesquisadores do Laboratório de Zootecnia Celular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolvem um método inédito de produção de colágeno de jumento por fermentação de precisão, que dispensa o abate de animais. No final de 2025, a pesquisa já havia concluído as primeiras etapas laboratoriais e entra agora na reta final, com o avanço, até o fim deste ano, no sentido de apresentar a viabilidade técnica do processo produtivo. Para o processo de escalonamento inicial – etapa em que a tecnologia deixa a bancada e passa a ser testada em biorreatores de 10 e 50 litros –, o projeto busca US$ 2 milhões para investir em uma infraestrutura robusta, capaz de viabilizar a produção de escala do colágeno de jumento. 



A fermentação de precisão consiste em utilizar micro-organismos geneticamente modificados para produzir proteínas específicas de origem animal. No caso da pesquisa da UFPR, a proteína de interesse é o colágeno do jumento, amplamente utilizado pela indústria chinesa na produção do ejiao, uma gelatina utilizada pela medicina tradicional do país, a partir da pele do animal. Impulsionado pela alta demanda na indústria de beleza, saúde e nutrição funcional, o mercado de ejiao é avaliado hoje em US$ 1,9 bilhão, com projeção para alcançar US$ 3,8 bilhões até 2032 - um crescimento anual de 9,1% neste período.



Neste segundo ano do projeto, os pesquisadores farão a inserção do DNA responsável pela produção do colágeno de jumento em um micro-organismo, que passará a atuar como uma biofábrica. A partir dessa etapa, será possível avançar para o processo de escalonamento inicial da produção.



“Já avançamos nas etapas mais complexas do ponto de vista científico, que são justamente as de bancada, onde está a inovação. Agora estamos prontos para inserir o DNA do colágeno em uma levedura, que funcionará como uma biofábrica, em um processo semelhante ao da produção de cerveja”, explica Carla Molento, PhD pela Universidade McGill, no Canadá, e coordenadora do Laboratório de Zootecnia Celular da UFPR.



O projeto é financiado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio do Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais (DPDA), e pela Fundação Araucária, SETI, Governo do Estado do Paraná. Também conta com uma parceria estratégica com a Universidade de Wageningen, na Holanda, referência mundial em biotecnologia para produção de proteínas alimentares alternativas ao uso de animais.



“Queremos comparar o DNA do jumento brasileiro com as sequências internacionais para garantir uma descrição precisa do produto. Isso é fundamental pensando em uma futura aplicação comercial”, esclarece Molento. A meta é apresentar, até dezembro de 2026, a chamada prova de conceito: a produção de miligramas de colágeno de jumento obtido integralmente por fermentação de precisão, comprovando que a tecnologia é viável.



Segundo a pesquisadora, apesar de as quantidades iniciais ainda serem pequenas, os resultados já são considerados altamente promissores. As três primeiras etapas, que envolvem o sequenciamento do DNA, sua amplificação e preparação, já foram cumpridas com sucesso. 



Necessidade de financiamento adicional - Apesar dos avanços científicos já alcançados, o projeto busca recursos para a etapa de escalonamento. Para testar a produção do colágeno em biorreatores de maior capacidade, a equipe estima a necessidade de cerca de US$ 2 milhões em novos investimentos. Sem esse aporte, a pesquisa permanece restrita à prova de conceito, o que limita a validação do processo em condições mais próximas das exigidas pela indústria e adia a possibilidade de transferência da tecnologia para o mercado.



“Hoje trabalhamos com pequenas quantidades, em um ambiente de prova de conceito. Para avançar rumo a uma aplicação industrial, precisamos de financiamento para instalar biorreatores maiores e testar a produção em escala piloto”, destaca Molento.



De acordo com a pesquisadora, esse financiamento pode vir tanto de fontes públicas quanto privadas, incluindo empresas interessadas, organizações internacionais ou nacionais. 



Além do impacto científico, a pesquisa abre caminho para uma alternativa econômica e ambientalmente mais eficiente em relação ao modelo atual de produção de colágeno de jumento. Hoje, o processo depende do abate dos animais, que enfrenta problemas éticos e de sustentabilidade ambiental e econômica. Com a produção em escala do colágeno de jumento, outros produtos de origem animal poderão ser desenvolvidos a partir da mesma tecnologia, que entrega proteínas animais verdadeiras sem a necessidade de criação e abate de animais, e com um impacto ambiental mais baixo que a produção animal convencional.



“Do ponto de vista produtivo, é muito mais eficiente investir em fermentação de precisão do que em fazendas de jumentos. Em um galpão, com alguns biorreatores, é possível produzir uma quantidade muito maior de proteína, com menos insumos e sem o abate”, explica a pesquisadora.



Outro diferencial é que o colágeno produzido em laboratório é altamente purificado, o que facilita sua comercialização no modelo B2B, modelo de negócio onde uma empresa vende produtos ou serviços para outras empresas. “A estratégia mais provável é vender o colágeno purificado para empresas que já produzem os produtos finais, seja na China ou em outros mercados”, afirma Carla. Para ela, o colágeno de jumento pode funcionar como uma “porta de entrada” à consolidação das proteínas alternativas no setor de produção animal.



Salvação da espécie – Além de gerar ganhos milionários com a venda de colágeno para a China, a produção em biorreatores pode contribuir para salvar os jumentos da extinção. Dados da FAO, do IBGE e do Agrostat mostram que a população desses animais no Brasil despencou 94% entre 1996 e 2024. “De cada 100 jumentos que existiam há 30 anos, hoje restam apenas seis”, afirma Patricia Tatemoto, PhD em Ciências, com ênfase em Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal pela USP, e coordenadora da organização no Brasil.



O abate ocorre de forma extrativista, não movimenta a economia local e beneficia apenas dois abatedouros em funcionamento no interior da Bahia. Trata-se de uma atividade que contraria dados técnicos e científicos já produzidos e divulgados no Brasil.




 

*Os artigos não expressam necessariamente a opinião da Revista Bichos.Com, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.