Castração traz ganhos físicos e comportamentais para os pets

Imagem: Istock

O procedimento melhora a vida dos animais de estimação e exige atenção especial no pós-operatório



A castração traz inúmeros benefícios à saúde de cães e gatos, ajudando a prevenir doenças graves, e contribui para o bem-estar geral, evitando comportamentos de risco. Quando realizada na idade adequada dos animais de estimação, garante ainda mais segurança para o desenvolvimento deles.



“Esse procedimento ajuda a prevenir tumores de mama em fêmeas castradas antes do primeiro cio, além de evitar infecções uterinas sérias, como a piometra, e reduzir o risco de tumores na próstata e nos testículos dos machos. A castração ainda diminui comportamentos indesejados, como marcação de território, fuga de casa ou agressividade por causa de disputas sexuais” explica Ana Mannuela de Souza Babo, professora do curso de Medicina Veterinária da UNINASSAU Barreiras.



“A melhor época para castrar gatos costuma ser entre 4 e 6 meses de idade, antes que eles tenham o primeiro cio ou comecem a mostrar comportamentos relacionados ao sexo. Para cães de porte pequeno, o ideal é entre 5 e 6 meses. Já os de porte maior podem esperar até cerca de 12 meses. Dessa forma, têm mais tempo para o desenvolvimento dos ossos e das articulações”, afirma a especialista.



De acordo com a professora, após a castração, muitos animais ficam mais tranquilos e menos impulsivos em relação a comportamentos sexuais e de fuga. “E, apesar da possível redução do metabolismo, a obesidade não é uma consequência inevitável, desde que a alimentação seja controlada. Com o uso de rações específicas e a manutenção de hábitos saudáveis, o pet pode ter uma vida equilibrada e ativa”, esclarece.



O período pós-operatório exige cuidados básicos, mas costuma ser tranquilo para o animal. Ele deve ficar em repouso, evitar saltos ou corridas. “Normalmente, a recuperação leva de uma a duas semanas. Durante esse período, é importante usar no pet colares elisabetanas ou roupas cirúrgicas para impedir que mexa nos pontos. Também é essencial fazer uma inspeção diária na ferida, procurando sinais de infecção, como inchaço, vermelhidão ou secreção. Além disso, não deixe de levá-lo ao veterinário para remover os pontos, se não forem absorvíveis, ou para uma nova avaliação, garantindo uma recuperação segura”, pontua.




Por João Milton Santos de Oliveira - Assessoria de imprensa - UNINASSAU

 

Crianças e pets em casa: acidentes podem levar cães e gatos à emergência

Brinquedos engolidos, alimentos inadequados e medicamentos estão entre os principais riscos



Dividir a casa com crianças e pets exige cuidados que vão além da supervisão das brincadeiras. Um brinquedo pequeno deixado no chão, um comprimido esquecido sobre um móvel ou um pedaço de chocolate oferecido escondido podem transformar situações comuns da rotina em uma emergência veterinária.


 

Dados ajudam a dimensionar parte desse risco. O ASPCA Animal Poison Control Center, centro norte-americano especializado em intoxicações animais, registrou mais de 376 mil exposições de pets a substâncias potencialmente tóxicas em 2025. Itens de venda livre, categoria que reúne medicamentos sem prescrição, vitaminas e suplementos, responderam por 16,9% dos registros, alimentos e bebidas por 16,4% e medicamentos de uso humano sob prescrição por 14,6%.


 

Segundo Gustavo Jorge Gonçalves, médico veterinário da WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, casas com crianças exigem atenção especial porque brinquedos, alimentos e pequenos objetos circulam com mais frequência pelo ambiente.


 

“A criança pode oferecer um alimento ao pet como demonstração de carinho ou deixar um brinquedo pequeno no chão sem imaginar que aquilo pode representar risco. O papel do adulto é organizar esse ambiente e ensinar regras simples de convivência, sem transformar a relação entre criança e animal em algo restritivo”, explica.


 

Quando o brinquedo da criança vira caso de hospital
 

Peças pequenas, bolinhas, partes de brinquedos, elásticos, barbantes e outros objetos podem ser engolidos por cães e gatos. Dependendo do formato, tamanho e localização, o material pode permanecer no estômago ou provocar obstrução gastrointestinal.


 

O Merck Veterinary Manual alerta que obstruções não tratadas podem comprometer a circulação sanguínea do intestino e evoluir para necrose ou perfuração. Corpos estranhos lineares, como fios e barbantes, merecem atenção especial.


 

Um estudo publicado no Journal of Small Animal Practice, com 499 cães diagnosticados com corpos estranhos gastrointestinais, identificou maior ocorrência de necrose intestinal, perfuração e peritonite nos animais que ingeriram objetos lineares.


 

“Vômitos persistentes, falta de apetite, apatia e dor abdominal depois do desaparecimento de um brinquedo ou objeto precisam acender o alerta. Nem sempre o responsável presencia a ingestão, por isso a mudança de comportamento do animal é importante”, afirma o médico veterinário.


 

O lanche da criança também pode oferecer risco
 

Alimentos e bebidas destinados a humanos aparecem entre as principais causas de exposição tóxica em pets registradas pelo centro de toxicologia da ASPCA.


 

Chocolate, uvas, uvas-passas, cebola, alho e produtos que contêm xilitol estão entre os itens que podem causar problemas. O chocolate, analisado separadamente no levantamento da instituição, respondeu por 13,6% das exposições registradas em 2025.


 

Em casas com crianças, o risco não está apenas no alimento oferecido diretamente ao animal. Restos deixados em mesas baixas, mochilas, lancheiras ou no chão também podem ser alcançados pelo pet.


 

“A regra para a criança precisa ser simples. Antes de dividir qualquer alimento com o animal, ela deve perguntar a um adulto. Esse aprendizado pode fazer parte da própria convivência com o pet”, orienta.


 

Medicamentos também precisam sair do alcance
 

Medicamentos humanos vendidos sem prescrição foram a principal categoria de exposição tóxica registrada pela ASPCA em 2025, pelo oitavo ano consecutivo.


 

Em uma casa com crianças, comprimidos podem cair no chão, permanecer em mochilas ou ser deixados sobre móveis baixos. Vitaminas e suplementos também precisam ser guardados em locais fechados.


 

A orientação da WeVets é nunca oferecer medicamentos de uso humano a cães e gatos sem avaliação veterinária.


 

Quando a brincadeira passa do limite
 

Os riscos não se restringem à ingestão de objetos ou alimentos. Corridas dentro de casa, quedas, pisões e brincadeiras excessivamente intensas podem provocar traumas.


 

Puxar orelhas, patas ou rabo, abraçar o animal com força ou tentar retirar um objeto diretamente de sua boca também podem provocar desconforto e reação defensiva.


 

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que as brincadeiras entre crianças e cães sejam supervisionadas por adultos. A entidade também orienta que os pequenos não incomodem os animais durante a alimentação ou sono, não puxem partes do corpo e não tentem tomar brinquedos que estejam com eles.


 

“A supervisão não serve para impedir a interação. Ela ajuda a criança a entender os sinais do animal e perceber quando ele quer brincar e quando precisa de espaço”, afirma.


 

Cinco cuidados para crianças e pets dividirem a casa com segurança:


  • Brinquedos com peças pequenas devem ser recolhidos depois da brincadeira.
  • Medicamentos, vitaminas e suplementos precisam permanecer em armários fechados.
  • Crianças não devem oferecer alimentos aos pets sem autorização de um adulto.
  • Elásticos, fios, barbantes e objetos pequenos não devem ficar no chão ou ao alcance do animal.
  • Toda interação mais intensa entre crianças pequenas e pets deve ocorrer com supervisão de um adulto.
  • Se houver suspeita de ingestão de medicamento, alimento tóxico ou corpo estranho, a recomendação é procurar atendimento veterinário rapidamente e informar, sempre que possível, o que foi ingerido, a quantidade aproximada e o horário do episódio.



Por Hélio Júnior - Focal 3 Comunicação 

Por que alguns cães lambem as patas sem parar? 5 causas que vão além da “mania”

Foto: Freepik

Veterinária explica quando o comportamento pode indicar problemas de saúde e quais sinais os tutores devem observar


Uma lambida ou outra nas patas faz parte do comportamento dos cães. O sinal de alerta aparece quando o animal começa a fazer isso repetidamente, por longos períodos ou com tanta intensidade que provoca vermelhidão, feridas e até perda de pelos na região.
 

Segundo Flávia Paiffer, professora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, a lambedura excessiva não deve ser automaticamente encarada como uma “mania”.
 

“Quando o comportamento se torna frequente, é importante observar o animal e a região afetada. A lambedura pode estar relacionada a diferentes alterações, desde uma irritação localizada e problemas dermatológicos até alterações sistêmicas ou comportamentais. Por isso, é importante que o animal seja avaliado por um médico veterinário, que poderá investigar a origem do problema, já que identificar a causa é fundamental para conseguir interromper esse ciclo”, explica.
 

Confira as 5 possíveis causas para o cachorro lamber as patas excessivamente:
 

1.Alergias

Alergias estão entre as possíveis causas de coceira e lambedura excessiva das patas. Elas podem estar relacionadas a fatores ambientais, como ácaros e pólen, ou a outros agentes que precisam ser investigados individualmente.
 

Além das lambidas, o responsável pode perceber vermelhidão, coceira em outras regiões do corpo e alterações na pele e entre os dedos. Em alguns casos, a lambedura constante também pode causar escurecimento dos pelos da região por ação da saliva.
 

2. Parasitas

Pulgas, carrapatos e alguns tipos de ácaros podem provocar coceira, inflamação e desconforto. Mesmo quando o tutor não consegue visualizar o parasita, sua presença ou uma reação às picadas pode fazer com que o animal coce ou lamba determinadas regiões com frequência. Por isso, a ausência de pulgas e outros parasitas visíveis não descarta a causa parasitária.
 

3. Ferimentos ou corpos estranhos

Espinhos, pequenas pedras, farpas e outros objetos podem ficar presos entre os dedos ou nas almofadas das patas. Cortes, fissuras, queimaduras provocadas pelo contato com superfícies quentes e outros machucados também podem fazer com que o cão concentre as lambidas em uma única pata.
 

Por isso, quando o comportamento começa de maneira repentina, é importante observar cuidadosamente a região, sem tentar retirar objetos profundos ou manipular uma lesão dolorosa.
 

4. Infecções e inflamações na pele

Alterações na barreira cutânea e o excesso de umidade podem favorecer a proliferação de microrganismos, como bactérias e fungos, especialmente quando já existe uma doença de base. Nesses casos, além da lambedura, podem aparecer mau cheiro, vermelhidão, descamação, inchaço, dor, secreção ou mudanças na aparência da pele.
 

É importante lembrar que a própria lambedura constante pode manter a região úmida e irritada, contribuindo para a piora da inflamação e do desconforto. Esse ciclo pode dificultar a cicatrização e favorecer infecções secundárias.
 

Nem toda lambedura excessiva tem origem exclusivamente física. Alguns cães podem desenvolver comportamentos repetitivos diante de situações de estresse, ansiedade, falta de estímulos ou mudanças na rotina. No entanto, uma causa comportamental não deve ser presumida antes que outras possíveis causas, como como doenças, dores, alergias, infecções e outras alterações no organismo, sejam investigadas.
 

Quando procurar o veterinário?

Se o cão lambe as patas ocasionalmente e não apresenta outras alterações, esse comportamento pode fazer parte da higiene habitual. Porém, quando a lambedura se torna frequente ou persistente, acompanhada de feridas, inchaço, perda de pelos, secreção, mau cheiro, dor ou dificuldade para apoiar a pata, é importante procurar avaliação veterinária.
 

Também não é recomendado utilizar pomadas, medicamentos ou receitas caseiras sem orientação profissional, já que o tratamento adequado depende da identificação da causa.

 

 

 

Anhanguera – Com 32 anos de história, a Anhanguera oferece para jovens e adultos uma infraestrutura moderna, ensino de excelência e portfólio diversificado com mais de 63 cursos de graduação presenciais, 43 semipresenciais e 57 na modalidade a distância, além de pós-graduações, cursos livres, profissionalizantes, técnicos e EJA. Pertencente à Cogna Educação, a maior e mais completa empresa de soluções educacionais do país, a Anhanguera conta com 108 unidades e centenas de polos em todos os estados brasileiros. Atende milhares de alunos com um corpo docente formado por professores especialistas, mestres e doutores e, 94% da instituição possui conceito 4 ou 5 no Ministério da Educação, sendo 5 a nota máxima atribuída pelo orgão responsável. Para mais informações das soluções educacionais, acesse o site




 

 Por Priscila Dezidério – Anhanguera 

01/10 No Dia do Cão Idoso, psicóloga aponta os sinais da fase sênior, mudanças de comportamento e adaptação da rotina

Cão idoso - Foto cedida pelo autor

O envelhecimento transforma a relação entre cães e suas famílias


O focinho ficou grisalho, as horas de sono são mais longas, a dificuldade para subir no sofá ou a ausência na porta quando alguém chega são indícios que o pet já não é o mesmo de alguns anos atrás.


 

Para a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, a chegada do envelhecimento também provoca mudanças na relação entre o cão e sua família. “Esse reconhecimento raramente é gradual. Ele costuma vir de repente, a partir de um detalhe. Nesse instante, a família entende que o tempo passou, e isso mexe com ela”, explica.


 

Observe mudanças de comportamento antes de atribuir tudo à idade


Na fase sênior, alguns cães ficam mais quietos e seletivos no contato, enquanto outros passam a procurar mais os tutores. Irritabilidade, ansiedade, isolamento e maior dependência também podem aparecer. Antes de interpretar essas mudanças como características da idade ou da personalidade, porém, é importante investigar suas causas.


 

“Chamamos de teimoso o cão que talvez não esteja ouvindo, de manhoso o que pode estar sentindo dor e de birrento o que está desorientado. Toda mudança nova de comportamento deve ser levada ao veterinário antes de virar traço de personalidade”, aponta Juliana.


 

Entenda que o vínculo muda, mas não precisa enfraquecer


Para a especialista, a chegada da velhice não significa necessariamente um enfraquecimento do vínculo. A relação apenas muda. O cão que durante anos acompanhou a família em passeios, brincadeiras e outras atividades pode passar a ter limitações, e os tutores precisam rever as expectativas.


 

“A família precisa deixar de esperar que o cão se adapte a ela e passar a se adaptar a ele. O cão não está ficando difícil, ele está vivendo com um corpo e uma percepção diferentes”, afirma.


 

Adapte a rotina sem deixar de lado os momentos de convivência


Horários mais previsíveis, móveis mantidos no mesmo lugar e um espaço tranquilo para descanso ajudam a dar segurança ao animal. Passeios e brincadeiras também podem continuar, respeitando seus limites e as orientações do veterinário.


“O passeio deixa de ser exercício e passa a ser presença, exploração, tempo de farejar sem pressa”, diz Juliana.


 

Observe e registre alterações para levar ao veterinário


O acompanhamento veterinário é fundamental nessa etapa, mas a família também tem um papel importante na prevenção. Observar mudanças no sono, no apetite, no humor e nos hábitos e levar essas informações para as consultas ajuda a identificar alterações que nem sempre são percebidas de imediato.


 

Olhe também para quem cuida


Outro ponto pouco discutido é a preparação emocional dos tutores. O envelhecimento pode trazer um chamado luto antecipatório, quando a família começa a sentir a perda do cão que ele era, mesmo com o animal ainda presente. O cansaço de quem cuida, as preocupações e até a culpa por sentir irritação também podem fazer parte desse processo.


 

“Quem cuida também precisa de espaço para falar do que sente, inclusive do cansaço e da tristeza”, afirma Juliana.


 

Preserve a autonomia e os rituais do cão


Para preservar a qualidade de vida e o vínculo, a orientação é respeitar a autonomia do animal sempre que possível, permitindo que ele faça escolhas, mantenha seus rituais e continue participando da rotina da família, ainda que de outra maneira.


 

Quando o assunto é fim de vida, conversar com o veterinário antes de uma situação de crise também pode ajudar a família a tomar decisões com mais tranquilidade.


 

“Essa conversa não antecipa a morte. Ela protege o tempo que ainda resta”, conclui Juliana.



 

Juliana Sato é psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com certificação internacional em luto pet pela Association for Pet Loss and Bereavement, e organizadora dos livros Luto no Contexto da Medicina Veterinária e Grief in the Veterinary Medicine. Atua em saúde mental no universo pet, com foco em vínculo humano-animal, além de consultorias, mentorias e iniciativas voltadas ao bem-estar emocional no setor veterinário.

 



Primavera acende alerta para alergias em cães e gatos; veja quais raças são mais predispostas


Dra. Flávia Jávare - médica-veterinária do UniMAX

Médica-veterinária explica sinais, sintomas e cuidados que o tutor deve ter para a estação

 






A chegada da primavera traz mudanças nas temperaturas, na umidade e na vegetação, o que afeta diretamente a saúde e o bem-estar de cães e gatos. Para os pets que apresentam predisposição a doenças alérgicas, a estação pode representar maior exposição a agentes ambientais capazes de desencadear ou intensificar crises.


Pólens liberados durante a polinização das plantas, ácaros presentes na poeira doméstica e fungos ambientais estão entre os principais alérgenos nesse período. O clima mais quente e úmido também favorece a atividade e a proliferação de pulgas, aumentando o risco de problemas como a dermatite alérgica à saliva da pulga (Dasp).


Segundo a Dra. Flávia Jávare, médica-veterinária do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba) e especialista em Dermatologia em Animais e Cia., a mudança de estação pode interferir diretamente na rotina de animais que já apresentam sensibilidade a determinados agentes.


“Na primavera, pode haver uma maior exposição aos alérgenos ambientais, como os pólens pela polinização das plantas. O aumento da umidade também favorece a proliferação de fungos ambientais e ácaros, aumentando a exposição aos alérgenos e causando crises nos indivíduos alérgicos”, explica a veterinária.


As alergias mais comuns nessa época está a dermatite atópica, também conhecida como atopia, uma doença crônica, inflamatória e pruriginosa. Ela provoca coceira e pode sofrer influência de fatores ambientais e sazonais. Outro quadro que merece atenção é a Dasp, quando as pulgas encontram condições mais favoráveis para atividade e proliferação, o que pode aumentar a exposição dos animais.


Entre os principais agentes ambientais relacionados às alergias estão os ácaros da poeira doméstica, como dermatophagoides farinae e blomia tropicalis; pólens de gramíneas, como paspalum notatum e cynodon dactylon; e fungos ambientais, como aspergillus fumigatus e alternaria alternata.


O clima da primavera também pode favorecer outros problemas de pele, como piodermites secundárias, picadas de pulgas e carrapatos, dermatites de dobras, principalmente em cães braquicefálicos, e dermatofitoses, doenças causadas por fungos geofílicos que apresentam maior transmissão em condições ambientais favoráveis. 


Coceira persistente nem sempre é alergia 


A coceira é um dos sinais mais conhecidos de uma crise alérgica. O pet pode se coçar com as unhas, morder ou lamber excessivamente determinadas regiões do corpo. Mas o sintoma, isoladamente, não é suficiente para indicar uma alergia.


Outras doenças dermatológicas, como a escabiose, também podem provocar coceira intensa. Por isso, os tutores devem observar sinais secundários, como vermelhidão, lesões na pele, queda de pelos, descamação, mau odor e infecções de ouvido ou otites, principalmente quando esses problemas aparecem de forma recorrente. A duração, a frequência e a evolução dos sintomas também são informações importantes para a investigação.


“A coceira excessiva não significa necessariamente que o animal tenha uma alergia. Para diferenciar uma doença alérgica de outras afecções dermatológicas, é importante avaliar a distribuição e a evolução das lesões, a intensidade da coceira e os outros sinais clínicos associados. Como a alergia é uma doença crônica, inflamatória e pruriginosa, os sinais podem se intensificar ao longo do tempo e sofrer influência de fatores ambientais e sazonais”, destaca Dra. Flávia.


A investigação veterinária pode incluir exames dermatológicos, como raspados cutâneos e citologias, além de culturas, triagens alérgicas e testes cutâneos. Quando há suspeita de alergia alimentar, pode ser necessária uma dieta de eliminação. Já os testes alérgicos podem auxiliar na identificação dos alérgenos envolvidos e na indicação da imunoterapia.


O tutor deve buscar avaliação veterinária quando o pet apresentar coceira persistente, vermelhidão, queda de pelos, descamação, lesões, mau odor ou infecções de ouvido, principalmente quando os sintomas forem recorrentes ou estiverem piorando. Uma alergia não tratada ou não controlada pode trazer consequências para a saúde do animal, como inflamação e coceira crônicas, infecções secundárias, otites recorrentes e alterações crônicas da pele e dos ouvidos.


“A avaliação profissional é importante não apenas para controlar os sintomas, mas para investigar a causa e definir a estratégia de tratamento. Em doenças dermatológicas, identificar corretamente o problema é fundamental para evitar que um sinal aparentemente simples, como uma coceira, se transforme em um quadro persistente”, ressalta Dra. Flávia.


Quais raças são mais predispostas e como agir preventivamente?


Algumas raças de cães também apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de alergias. É o caso de shih tzu, buldogue francês, yorkshire terrier e golden retriever. Em felinos, essa predisposição racial é menos estabelecida, mas já foi observada em gatos siamês, persa e sem raça definida (SRD).


Embora não seja possível eliminar completamente os agentes alergênicos do ambiente, algumas medidas ajudam reduzir a exposição dos animais:

- Mantenha a casa limpa e ventilada;

- Aspire regularmente locais quem os pets tenham contato

- Higienize camas, mantas, estofados e outros locais

- Realize o controle dos ectoparasitas;


Nos animais que já apresentam alergias, o controle ambiental deve estar associado ao tratamento adequado. A abordagem é individualizada e pode incluir controle de alérgenos ambientais e de ectoparasitas, além de banhos terapêuticos, medicamentos imunomoduladores, anti-inflamatórios, antibacterianos e antifúngicos quando há infecções associadas. Em alguns casos, pode haver indicação de imunoterapia imuno-específica, que ajuda a reduzir a sensibilidade aos alérgenos e a promover o controle da doença a longo prazo.


“O objetivo do controle ambiental é reduzir a carga de exposição aos agentes alergênicos. Nos animais alérgicos, essas medidas devem estar associadas ao tratamento adequado, que precisa ser individualizado de acordo com as características e necessidades de cada paciente”, orienta a especialista do Hospital Veterinário da UniMAX.


Dra. Flávia Jávare é médica-veterinária do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba), com pós-graduação em Dermatologia em Animais e Cia. e aperfeiçoamento em Citopatologia Dermatológica e Alergologia Veterinária.


O Centro Universitário Max Planck (UniMAX) é uma instituição de ensino com 27 anos de tradição e excelência acadêmica. Reconhecida com nota máxima (5) pelo MEC, já formou mais de 10 mil profissionais e oferece mais de 50 cursos de graduação, pós-graduação, MBA, extensão e educação a distância (EAD) nas áreas de Saúde, Humanas, Exatas e Tecnologia. Com 3 campi em Indaiatuba, no interior de São Paulo, possui estrutura completa que inclui Hospital Veterinário, Centro Escola de Especialidades Médicas (CEEM) e laboratórios de última geração. Seu modelo pedagógico é fundamentado em metodologias ativas de aprendizagem, com pelo menos 50% da carga horária dos cursos presenciais dedicada a atividades práticas desde o primeiro semestre.



Jean Martins - JTCom Consultoria de Comunicação