Primavera acende alerta para alergias em cães e gatos; veja quais raças são mais predispostas


Dra. Flávia Jávare - médica-veterinária do UniMAX

Médica-veterinária explica sinais, sintomas e cuidados que o tutor deve ter para a estação

 






A chegada da primavera traz mudanças nas temperaturas, na umidade e na vegetação, o que afeta diretamente a saúde e o bem-estar de cães e gatos. Para os pets que apresentam predisposição a doenças alérgicas, a estação pode representar maior exposição a agentes ambientais capazes de desencadear ou intensificar crises.


Pólens liberados durante a polinização das plantas, ácaros presentes na poeira doméstica e fungos ambientais estão entre os principais alérgenos nesse período. O clima mais quente e úmido também favorece a atividade e a proliferação de pulgas, aumentando o risco de problemas como a dermatite alérgica à saliva da pulga (Dasp).


Segundo a Dra. Flávia Jávare, médica-veterinária do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba) e especialista em Dermatologia em Animais e Cia., a mudança de estação pode interferir diretamente na rotina de animais que já apresentam sensibilidade a determinados agentes.


“Na primavera, pode haver uma maior exposição aos alérgenos ambientais, como os pólens pela polinização das plantas. O aumento da umidade também favorece a proliferação de fungos ambientais e ácaros, aumentando a exposição aos alérgenos e causando crises nos indivíduos alérgicos”, explica a veterinária.


As alergias mais comuns nessa época está a dermatite atópica, também conhecida como atopia, uma doença crônica, inflamatória e pruriginosa. Ela provoca coceira e pode sofrer influência de fatores ambientais e sazonais. Outro quadro que merece atenção é a Dasp, quando as pulgas encontram condições mais favoráveis para atividade e proliferação, o que pode aumentar a exposição dos animais.


Entre os principais agentes ambientais relacionados às alergias estão os ácaros da poeira doméstica, como dermatophagoides farinae e blomia tropicalis; pólens de gramíneas, como paspalum notatum e cynodon dactylon; e fungos ambientais, como aspergillus fumigatus e alternaria alternata.


O clima da primavera também pode favorecer outros problemas de pele, como piodermites secundárias, picadas de pulgas e carrapatos, dermatites de dobras, principalmente em cães braquicefálicos, e dermatofitoses, doenças causadas por fungos geofílicos que apresentam maior transmissão em condições ambientais favoráveis. 


Coceira persistente nem sempre é alergia 


A coceira é um dos sinais mais conhecidos de uma crise alérgica. O pet pode se coçar com as unhas, morder ou lamber excessivamente determinadas regiões do corpo. Mas o sintoma, isoladamente, não é suficiente para indicar uma alergia.


Outras doenças dermatológicas, como a escabiose, também podem provocar coceira intensa. Por isso, os tutores devem observar sinais secundários, como vermelhidão, lesões na pele, queda de pelos, descamação, mau odor e infecções de ouvido ou otites, principalmente quando esses problemas aparecem de forma recorrente. A duração, a frequência e a evolução dos sintomas também são informações importantes para a investigação.


“A coceira excessiva não significa necessariamente que o animal tenha uma alergia. Para diferenciar uma doença alérgica de outras afecções dermatológicas, é importante avaliar a distribuição e a evolução das lesões, a intensidade da coceira e os outros sinais clínicos associados. Como a alergia é uma doença crônica, inflamatória e pruriginosa, os sinais podem se intensificar ao longo do tempo e sofrer influência de fatores ambientais e sazonais”, destaca Dra. Flávia.


A investigação veterinária pode incluir exames dermatológicos, como raspados cutâneos e citologias, além de culturas, triagens alérgicas e testes cutâneos. Quando há suspeita de alergia alimentar, pode ser necessária uma dieta de eliminação. Já os testes alérgicos podem auxiliar na identificação dos alérgenos envolvidos e na indicação da imunoterapia.


O tutor deve buscar avaliação veterinária quando o pet apresentar coceira persistente, vermelhidão, queda de pelos, descamação, lesões, mau odor ou infecções de ouvido, principalmente quando os sintomas forem recorrentes ou estiverem piorando. Uma alergia não tratada ou não controlada pode trazer consequências para a saúde do animal, como inflamação e coceira crônicas, infecções secundárias, otites recorrentes e alterações crônicas da pele e dos ouvidos.


“A avaliação profissional é importante não apenas para controlar os sintomas, mas para investigar a causa e definir a estratégia de tratamento. Em doenças dermatológicas, identificar corretamente o problema é fundamental para evitar que um sinal aparentemente simples, como uma coceira, se transforme em um quadro persistente”, ressalta Dra. Flávia.


Quais raças são mais predispostas e como agir preventivamente?


Algumas raças de cães também apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de alergias. É o caso de shih tzu, buldogue francês, yorkshire terrier e golden retriever. Em felinos, essa predisposição racial é menos estabelecida, mas já foi observada em gatos siamês, persa e sem raça definida (SRD).


Embora não seja possível eliminar completamente os agentes alergênicos do ambiente, algumas medidas ajudam reduzir a exposição dos animais:

- Mantenha a casa limpa e ventilada;

- Aspire regularmente locais quem os pets tenham contato

- Higienize camas, mantas, estofados e outros locais

- Realize o controle dos ectoparasitas;


Nos animais que já apresentam alergias, o controle ambiental deve estar associado ao tratamento adequado. A abordagem é individualizada e pode incluir controle de alérgenos ambientais e de ectoparasitas, além de banhos terapêuticos, medicamentos imunomoduladores, anti-inflamatórios, antibacterianos e antifúngicos quando há infecções associadas. Em alguns casos, pode haver indicação de imunoterapia imuno-específica, que ajuda a reduzir a sensibilidade aos alérgenos e a promover o controle da doença a longo prazo.


“O objetivo do controle ambiental é reduzir a carga de exposição aos agentes alergênicos. Nos animais alérgicos, essas medidas devem estar associadas ao tratamento adequado, que precisa ser individualizado de acordo com as características e necessidades de cada paciente”, orienta a especialista do Hospital Veterinário da UniMAX.


Dra. Flávia Jávare é médica-veterinária do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba), com pós-graduação em Dermatologia em Animais e Cia. e aperfeiçoamento em Citopatologia Dermatológica e Alergologia Veterinária.


O Centro Universitário Max Planck (UniMAX) é uma instituição de ensino com 27 anos de tradição e excelência acadêmica. Reconhecida com nota máxima (5) pelo MEC, já formou mais de 10 mil profissionais e oferece mais de 50 cursos de graduação, pós-graduação, MBA, extensão e educação a distância (EAD) nas áreas de Saúde, Humanas, Exatas e Tecnologia. Com 3 campi em Indaiatuba, no interior de São Paulo, possui estrutura completa que inclui Hospital Veterinário, Centro Escola de Especialidades Médicas (CEEM) e laboratórios de última geração. Seu modelo pedagógico é fundamentado em metodologias ativas de aprendizagem, com pelo menos 50% da carga horária dos cursos presenciais dedicada a atividades práticas desde o primeiro semestre.



Jean Martins - JTCom Consultoria de Comunicação


Por que alguns cães e gatos recusam a ração? Ciência explica os fatores por trás da escolha alimentar

Credito: Open AI
Especialista da esclarece que aceitação de um alimento depende de uma combinação de fatores sensoriais, comportamentais e individuais, e não apenas da qualidade nutricional



Bastou o cachorro ou o gato deixar a ração no pote para surgir a dúvida: será que o alimento é ruim? Embora essa seja uma associação comum entre os tutores, especialistas explicam que a rejeição de um alimento, por si só, não indica baixa qualidade. A aceitação da alimentação é influenciada por diversos fatores, que vão desde características individuais do animal até aspectos sensoriais do alimento e do ambiente.


A Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA) considera a alimentação um dos pilares da saúde de cães e gatos e recomenda que a avaliação nutricional faça parte de todas as consultas veterinárias. A entidade também alerta que muitas decisões sobre alimentação ainda são baseadas em informações equivocadas disponíveis na internet, e não em evidências científicas.


Entre esses equívocos está a ideia de que um alimento recusado é necessariamente inferior. A própria WSAVA destaca que a lista de ingredientes, frequentemente utilizada como principal critério de escolha pelos consumidores, não permite avaliar, sozinha, a qualidade de um alimento. Aspectos como formulação nutricional, controle de qualidade, pesquisas conduzidas pelo fabricante e adequação às necessidades do animal são muito mais relevantes nessa análise.


Segundo Caroline Pinto, cientista da unidade Pet Food e Rendering da Kemin Industries, um dos conceitos mais importantes para entender esse comportamento é a palatabilidade, uma avaliação sensorial utilizada para mensurar a aceitabilidade e a preferência de um alimento. "A palatabilidade envolve uma combinação de fatores como aroma, sabor, textura, aparência, formato, tamanho das partículas, temperatura do alimento e até experiências prévias do animal. Muitas vezes, quando um pet rejeita uma ração, o tutor associa esse comportamento imediatamente à qualidade do produto. No entanto, qualidade nutricional e aceitação são características distintas e devem ser avaliadas separadamente. A recusa de um alimento não significa, necessariamente, que ele tenha baixa qualidade".


Por ser um processo multifatorial, a aceitação do alimento varia de um animal para outro. Preferências individuais, mudanças na rotina, adaptação a uma nova dieta, condições de saúde e até a forma de armazenamento da ração podem influenciar o consumo voluntário, principal indicador utilizado para avaliar a aceitação de um alimento.


As diferenças entre cães e gatos também ajudam a explicar esse comportamento. Enquanto os cães costumam apresentar maior flexibilidade alimentar e aceitam uma ampla variedade de aromas, sabores e texturas, os gatos são reconhecidamente mais seletivos e sensíveis aos estímulos sensoriais.


"Nos felinos, o aroma costuma ser o principal fator para a aceitação do alimento, seguido pelo sabor e pela textura. O formato e o tamanho do kibble também exercem influência, já que muitos gatos demonstram preferência por partículas menores, mais fáceis de apreender e mastigar. Já os cães tendem a apresentar maior adaptação a diferentes características dos alimentos", detalha a especialista.


De acordo com a Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação (FEDIAF), referência internacional em nutrição pet, alimentos completos para cães e gatos são formulados para atender às necessidades nutricionais específicas de cada espécie e passam por rigorosos controles de qualidade durante sua fabricação.


Desenvolver um alimento que seja, ao mesmo tempo, nutricionalmente equilibrado e atrativo para os animais, porém, é um desafio constante para a indústria. "Nem sempre os ingredientes que oferecem maiores benefícios nutricionais são os mais atrativos para cães e gatos. O desenvolvimento de um alimento de sucesso exige equilibrar nutrição, segurança, estabilidade e aceitação pelos animais. Afinal, mesmo a melhor formulação perde seu valor se o cão ou o gato não consumir o alimento regularmente", conta Caroline.


Além das características do alimento, alterações persistentes no apetite também merecem atenção. Segundo a WSAVA, mudanças no comportamento alimentar podem estar relacionadas a fatores clínicos, ambientais ou comportamentais e devem ser avaliadas por um médico-veterinário quando persistirem.


Para os tutores, a recomendação é evitar mudanças bruscas na alimentação, realizar a transição para uma nova dieta de forma gradual, armazenar corretamente a ração para preservar suas características sensoriais e respeitar as preferências individuais dos animais. Caso a perda de apetite seja persistente ou venha acompanhada de outros sinais clínicos, a orientação é buscar avaliação profissional.


Mais do que indicar se um alimento é "bom" ou "ruim", o comportamento alimentar dos pets deve ser interpretado dentro de um contexto mais amplo. Compreender como fatores sensoriais, fisiológicos e comportamentais influenciam a aceitação dos alimentos contribui para escolhas mais conscientes e favorece a saúde e o bem-estar de cães e gatos.



A Kemin Industries é uma fabricante global de ingredientes, que se empenha diariamente em transformar de maneira sustentável a qualidade de vida de 80% da população mundial com seus produtos e serviços. A empresa possui mais de 500 ingredientes patenteados para saúde e nutrição humana e animal, alimentos para animais de estimação, aquicultura, nutracêuticos, tecnologias alimentares, tecnologias agrícolas e indústrias têxteis.


Fundada em 1961, a Kemin é uma empresa privada, de propriedade e operação familiar, com mais de 3.300 funcionários e operações globais em 90 países, incluindo instalações de fabricação na Bélgica, Brasil, China, Índia, Itália, Rússia, Singapura, África do Sul, e Estados Unidos. Outras informações sobre a Kemin podem ser encontradas na sua página (www.kemin.com), ou nas redes sociais LinkedIn (www.linkedin.com/showcase/kemin-animal-nutrition-&-health-south-america/) e Facebook (www.facebook.com/keminamericadosul).

 



Por Mariana Cremasco - MTB: 60.856/SP - Alfapress Comunicações

Feriado de 7 de setembro: cuidados ajudam a prevenir emergências com cães e gatos

Imagem cedida pelo autor

Médico veterinário orienta tutores sobre viagens, alimentação, calor, fugas e sinais que exigem atendimento veterinário imediato

 



Com o feriado de 7 de setembro em uma segunda-feira, muitos tutores devem aproveitar o fim de semana prolongado para viajar, visitar familiares ou passar mais tempo fora de casa. A mudança de rotina, no entanto, pode expor cães e gatos a riscos como intoxicações, fugas, atropelamentos, traumas, crises gastrointestinais e desidratação.


 

Segundo Gustavo Jorge Gonçalves, médico veterinário da WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, parte dessas ocorrências pode ser prevenida com medidas simples antes da saída e durante a permanência no destino. “Muitos riscos aparecem quando o animal tem acesso a alimentos diferentes, circula por um ambiente que não conhece ou enfrenta uma viagem sem o preparo adequado. Organizar o transporte, verificar a segurança do local e saber onde buscar atendimento fazem diferença em uma emergência”, explica.


 

Confira sete cuidados para o feriado:

 

1. Mantenha a identificação atualizada

Cães e gatos devem usar coleira com identificação e telefone do tutor, mesmo quando possuem microchip. Antes de soltar o animal em uma casa, pousada ou sítio, é necessário verificar portões, telas, muros e possíveis rotas de fuga. Em locais desconhecidos, o pet pode se assustar e tentar voltar para casa.


 

2. Transporte o animal com segurança

No carro, cães devem viajar com cinto de segurança próprio ou dentro de uma caixa de transporte adequada. Gatos precisam permanecer na caixa durante todo o percurso. Além de aumentar o risco de acidentes e lesões, o transporte incorreto é infração de trânsito: animal no colo ou entre os braços e pernas do condutor é infração média, e nas partes externas do veículo é infração grave, com retenção do veículo.

 

Em trajetos mais longos, o tutor deve planejar pausas seguras para oferecer água e permitir que o cão se movimente. Medicamentos contra enjoo, calmantes ou sedativos só devem ser utilizados com orientação veterinária.


 

3. Separe medicamentos, documentos e alimentação

Quem viaja com um pet em tratamento deve levar quantidade suficiente dos medicamentos e seguir os horários prescritos. A bagagem também pode incluir carteira de vacinação, receitas, ração habitual, potes, itens de higiene e contatos de hospitais veterinários 24 horas próximos ao destino.

 

A troca repentina de ração ou o consumo de alimentos diferentes pode causar vômitos, diarreia e desconforto abdominal.


 

4. Redobre a atenção durante churrascos e refeições

Ossos, espetos, alimentos gordurosos e comidas temperadas não devem ser oferecidos aos animais. Chocolate, uvas, uvas-passas, cebola, alho, bebidas alcoólicas e produtos adoçados com xilitol também podem provocar intoxicações.

 

Lixeiras e sacos de resíduos precisam permanecer fechados. Ossos e espetos descartados podem causar engasgos, perfurações e obstruções no sistema digestório.

 

“Mesmo uma pequena quantidade pode representar risco, dependendo do alimento, do porte do animal e de suas condições de saúde. Se houver ingestão acidental, o tutor não deve provocar vômito nem oferecer medicamentos por conta própria”, orienta o médico veterinário.


 

5. Proteja o pet do calor

Passeios devem ser feitos nos horários mais frescos do dia, preferencialmente antes das 10h e depois das 16h. Antes de sair, o tutor pode encostar a mão no chão para avaliar a temperatura, já que o asfalto e a areia aquecidos podem provocar queimaduras nas patas. Entre 10h e 16h, o calor intenso pode afetar os animais mesmo na sombra.
 

Água fresca e sombra precisam estar disponíveis durante todo o dia. O animal nunca deve ser deixado sozinho dentro do carro, mesmo com as janelas parcialmente abertas ou por poucos minutos.


 

6. Prepare um espaço seguro contra barulhos

Fogos de artifício e outros ruídos intensos podem provocar medo, tentativas de fuga e acidentes. A orientação é manter o pet em um ambiente protegido, com portas e janelas fechadas, objetos familiares e som ambiente que ajude a reduzir o impacto do barulho.
 

O animal não deve ser amarrado, deixado sozinho em áreas externas ou forçado a interagir enquanto estiver assustado. Tutores de pets com histórico de crises intensas devem conversar previamente com o médico-veterinário.


 

7. Observe mudanças no comportamento e no estado físico

Vômitos repetidos, diarreia com sangue, dificuldade para respirar, tremores, convulsões, desmaios, sangramentos, abdômen aumentado, dificuldade ou incapacidade de urinar, fraqueza intensa e suspeita de intoxicação exigem avaliação imediata.
 

Atropelamentos, quedas, mordidas e outros traumas também precisam de atendimento, mesmo quando o animal não apresenta ferimentos visíveis. Lesões internas podem não ser percebidas inicialmente.


 

Em uma emergência, o tutor deve manter o animal em segurança, evitar medicações caseiras e ir imediatamente para um hospital veterinário. Quando houver suspeita de intoxicação, a embalagem ou uma foto do produto ingerido pode ajudar a equipe no atendimento.




Por Hélio Júnior - Focal3 Comunicação

Curta do Instituto Ampara Animal mostra por que os felinos estão cada vez mais próximos das cidades

Foto fornecida pelo autor

A animação"A Voz da Onça-Parda" contou com a participação da cantora Sandy e do jornalista André Trigueiro.



Sandy aceitou o convite da Ampara Animal para emprestar sua voz à personagem da onça-parda, dando vida à protagonista do curta e contribuindo para transmitir, de forma sensível e emocionante, a realidade enfrentada pela espécie.



Já André Trigueiro foi responsável pela locução da mensagem final do filme, reforçando o alerta sobre a perda de habitat, a importância da conservação das florestas e corredores ecológicos e a necessidade de coexistência entre os seres humanos e a fauna silvestre. 



Dezenas de onças-pardas (Puma concolor) tiveram que ser resgatadas em áreas urbanas em todo o Brasil somente em 2025. Na maioria dos casos, esses animais deixaram a mata em busca de alimento e abrigo após perderem parte de seu habitat natural. Para chamar a atenção para uma das principais causas desse cenário, o Instituto Ampara Animal lançou, no dia 30 de agosto, o curta de animação "A Voz da Onça-Parda", que narra, sob a perspectiva do próprio animal, as consequências da fragmentação dos ecossistemas e da perda da conectividade entre os habitats e outros recursos naturais.



Idealizado pela publicitária, terapeuta integrativa e defensora da fauna silvestre Daniela Andrade, o projeto nasceu da preocupação com a realidade enfrentada pela fauna brasileira, especialmente no Estado de São Paulo, onde o crescimento urbano, a expansão de condomínios e a fragmentação das áreas naturais vêm reduzindo cada vez mais o espaço disponível para a vida silvestre e no caso, para essas espécies que necessitam de amplas áreas de vida. A proposta do filme é sensibilizar o público para a importância da conservação dos habitats, da implantação de corredores ecológicos e passagens de fauna e da construção de uma relação mais harmoniosa entre pessoas e animais silvestres.



Com cerca de dois minutos e meio de duração, a animação acompanha a trajetória de um filhote desde os primeiros dias de vida ao lado da mãe, em uma floresta preservada. Embalada pelos sons da natureza, a narrativa apresenta um ambiente onde o silêncio é interrompido apenas pelo canto dos pássaros, pelo vento entre as árvores e pelos primeiros passos curiosos da pequena onça, compondo assim uma paisagem sonora da floresta.



A tranquilidade termina quando a mãe sai para caçar e deixa o filhote escondido entre os canaviais, comportamento hoje utilizado por esses animais para transitarem entre um fragmento e outro de mata. Pouco depois, o ronco das colheitadeiras substitui os sons da floresta. Assustada com a aproximação das máquinas, a filhote corre em meio à plantação e se perde. Quando a mãe retorna para buscá-la, encontra apenas o rastro da destruição deixada pela colheitadeira. E assim, o reencontro não acontece.



A partir desse momento, o curta acompanha o crescimento da onça em um ambiente completamente transformado pela ação humana. Já adulta, ela percorre rodovias, cruza bairros, desvia de carros, enfrenta o barulho das cidades e procura apenas aquilo que sempre encontrou na floresta: abrigo, alimento, interação com outras espécies e um lugar seguro para viver.



Em uma de suas incursões em uma área urbana, o animal acaba acuado e é resgatado por equipes ambientais. Encaminhada para um recinto de reabilitação, a personagem faz uma reflexão que resume a mensagem do filme:


"Dizem que me salvaram… Mas o que é ser salva sem poder voltar para casa?"


Produzido com linguagem poética, animação sensível e uma trilha sonora que acompanha a transformação da paisagem — dos sons naturais ao silêncio provocado pela perda da floresta —, o curta termina com um pedido dirigido ao público:


"A floresta é meu lar. É nosso lar. Só peço uma chance de coexistirmos."



As cenas finais reforçam que a história retratada não é um caso isolado. A narração destaca que centenas de onças-pardas e outros animais vêm sendo encontradas em áreas urbanas porque perderam território, presas naturais, abrigo e outros recursos. Muitas delas jamais conseguem retornar à vida livre.



"Quando a floresta deixa de existir, nós também perdemos o equilíbrio que mantém nossas cidades vivas. Aprender a coexistir não é escolha. É sobrevivência. Se ela tem a sua casa, nós teremos a nossa."



Segundo Daniela Andrade, a proposta sempre foi contar essa história pela perspectiva do próprio animal, despertando empatia e aproximando as pessoas da realidade vivida pela fauna silvestre.



"Quando um animal silvestre aparece próximo às pessoas, quase sempre ele está tentando sobreviver em um ambiente que foi transformado pelo próprio ser humano. Precisamos aprender a coexistir e compreender que proteger esses animais significa proteger também o futuro dos nossos ecossistemas. A ideia deste curta nasceu justamente da vontade de dar voz à onça-parda e mostrar que ela não invade nossas cidades: somos nós que transformamos o caminho que ela sempre percorreu.



" Para ampliar o alcance da mensagem e fortalecer seu caráter educativo, Daniela convidou o Instituto Ampara Animal para abraçar a iniciativa. A organização passou a assinar institucionalmente o projeto, incorporando o filme às suas ações de mobilização para a conservação da biodiversidade e coexistência entre seres humanos e fauna silvestre.



Para Juliana Camargo, presidente do Instituto Ampara Animal, o aumento dos registros de onças-pardas em centros urbanos revela a necessidade de ampliar o debate sobre conservação dos habitats naturais.



"Quando uma onça-parda aparece em uma cidade, ela não está ali porque escolheu estar. Ela chegou até aquele local porque seu território foi reduzido, fragmentado ou deixou de oferecer as condições necessárias para sua sobrevivência. 'A Voz da Onça-Parda' procura mostrar essa realidade por uma perspectiva pouco explorada: a do próprio animal. Esperamos que as pessoas compreendam que proteger as florestas é a forma mais eficiente de proteger também a fauna, reduzir conflitos e preservar o equilíbrio ambiental."



O curta contou ainda com a colaboração de duas produtoras especializadas. A Bóson Post foi responsável pela pós-produção e finalização da animação, transformando o roteiro em uma experiência audiovisual capaz de emocionar e aproximar o público da história. Já a Blood Audio assinou a trilha sonora original e o desenho de som, criando uma linguagem cinematográfica que utiliza tanto a música quanto o silêncio para acompanhar a transformação da paisagem e intensificar a experiência sensorial da narrativa.



Lançamento durante a Semana da Suçuarana


A estreia oficial de "A Voz da Onça-Parda" aconteceu no Parque Natural Municipal do Itaim, uma unidade de conservação na zona sul de São Paulo, como parte da programação da Semana da Suçuarana, iniciativa promovida anualmente pelo Programa de Conservação Mamíferos do Cerrado em celebração ao Dia Internacional da Onça-Parda.



Vale lembrar que o Itaim integra a Trilha Interparques, uma iniciativa das unidades de conservação municipais e demais áreas protegidas, cujo símbolo é a pegada com rastro da onça-parda, animal símbolo da cidade.



Além da exibição inédita do curta, o evento contou com uma saída de observação de natureza promovida pelo programa do instituto AMPARA Animal, Binóculos da Liberdade, além de roda de conversa sobre a coexistência humano fauna e outras atividades de educação ambiental.



Mais do que lançamento, o encontro buscou aproximar a população da realidade das onças-pardas que vivem na maior metrópole do país e em suas áreas periurbanas e rurais. A presença desses animais na região ainda é pouco conhecida, embora eles ocupem importantes remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado que resistem dentro e no entorno da cidade. Compreender suas ameaças e estabelecer estratégias de conservação é um passo fundamental para construir cidades mais preparadas para coexistência e proteção da biodiversidade.



Há 16 anos, o Instituto Ampara Animal atua na proteção da fauna brasileira por meio do manejo populacional de animais domésticos, advocacy, educação ambiental, cooperação técnica e projetos de conservação de animais silvestres vítimas de queimadas, atropelamentos, tráfico, desmatamento e outros impactos provocados pela ação humana. A organização também desenvolve campanhas de conscientização e projetos voltados à coexistência entre pessoas e animais silvestres.


Desde 2015 o Instituto Ampara Animal trabalha com a campanha “Todos pelas onças” que visa abordar temas importantes que envolvem as principais ameaças das onças brasileiras e também, ações de advocacy na defesa dos direitos dessas espécies.


Além disso, foi investido cerca de R$4 milhões de reais em construção e melhorias de espaços para atender uma demanda enorme de indivíduos que não podem mais retornar para a natureza. Essa é uma remediação paliativa porém necessária, para trazer dignidade e bem-estar aos impactados pela intervenção humana.


Por isso, o Instituto está em busca de apoio de pessoas físicas e empresas, para dar continuidade a esta importante frente de atuação.


Acesse: todospelasoncas.org.br




Por Valle da Mídia