Páscoa: alerta para o risco de intoxicação por chocolate em pets

Substância presente no cacau pode causar arritmias e convulsões em cães e gatos; especialista explica por que o "pedacinho" é um perigo invisível


A celebração da Páscoa acende um importante alerta para tutores e seus pets. O chocolate, amplamente consumido durante o período, figura entre os alimentos mais tóxicos para cães e gatos. Segundo a WeVets, maior grupo de saúde veterinária do país, a ingestão acidental de produtos à base de cacau está entre as principais causas de atendimentos emergenciais e internações de alta complexidade nesta época do ano.


O principal agente tóxico é a teobromina, um alcaloide presente no cacau que apresenta eliminação lenta, com potencial de acúmulo sistêmico. Diferentemente dos humanos, cães e gatos possuem menor capacidade de metabolização e excreção dessa substância, o que leva ao seu acúmulo no organismo e consequente toxicidade, especialmente sobre os sistemas cardiovascular e nervoso central.


A gravidade da intoxicação está diretamente relacionada a dois fatores principais: o peso do pet e a concentração de cacau no produto ingerido. Chocolates com maior teor de cacau, como os amargos, apresentam maior potencial tóxico em comparação ao chocolate branco, embora nenhum tipo seja recomendado para consumo por pets.


"Muitos tutores acreditam que um pequeno pedaço não terá impacto, mas a teobromina tem efeito acumulativo e dose-dependente. Em pets de pequeno porte ou com comorbidades, especialmente cardiopatias, quantidades mínimas podem desencadear quadros graves, como taquicardia e convulsões, em poucas horas”, comenta a médica-veterinária Manuela Lopes, supervisora assistencial da WeVets.


Sinais de alerta para os tutores:


-Vômitos e diarreia;

-Agitação, hiperatividade e tremores musculares;

-Taquipneia (aumento da frequência respiratória) e taquicardia, podendo evoluir para arritmias graves (aumento da alteração e ritmo cardíaco);

-Incoordenação motora (ataxia), podendo evoluir para convulsões em casos graves.


Por se tratar de uma urgência clínica que pode evoluir rapidamente para uma emergência, o tratamento requer monitoramento em ambiente hospitalar especializado. Nas unidades 24 horas da rede WeVets, nossa equipe de clínica médica e internação está disponível para atender e fornecer todo o suporte necessário, e algumas unidades contam com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para os casos mais graves.


Além da toxicidade do cacau, a especialista alerta para o risco das embalagens. Papéis metalizados e plásticos podem atuar como corpo estranho, que muitas vezes retirados por endoscopia. “A evolução desses materiais pode ocasionar obstrução do trânsito intestinal, exigindo intervenção cirúrgica", completa Manuela.

 

Para uma Páscoa segura, a recomendação é manter os chocolates em locais altos e fechados, fora do alcance do olfato aguçado dos pets. Para que eles possam participar da celebração, indique petiscos de uso veterinário, formulados sem açúcar, leite ou outras substâncias tóxicas. O cuidado preventivo e a vigilância constante são as melhores ferramentas para evitar que um momento de festa se transforme em uma emergência de saúde do pet.



Por Hélio Júnior - Focal3 Comunicação