5 dicas para fortalecer o vínculo com o pet e melhorar o bem-estar de ambos

Cleber Santos - Crédito Fernanda Cazarini

Pesquisa internacional aponta que os benefícios emocionais dos pets dependem da qualidade da convivência. Especialista explica como rotina, socialização e manejo adequado fortalecem a relação entre tutores e animais



Quem convive com um cachorro ou gato costuma dizer que a presença do animal já é suficiente para aliviar o estresse do dia a dia. Mas um novo estudo internacional publicado na revista científica Frontiers in Psychology sugere que os benefícios emocionais dos pets vão além da simples companhia.


A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Open University, na Holanda, acompanhou 188 tutores de cães e gatos e analisou quase 8 mil relatos coletados em tempo real sobre emoções, interações e situações de estresse. Os resultados mostraram que a convivência com os animais está associada ao aumento de emoções positivas e à redução de sentimentos negativos. No entanto, o estudo concluiu que a presença do pet, sozinha, não é suficiente para reduzir diretamente o impacto emocional do estresse cotidiano.


Para Cleber Santos, especialista em comportamento animal e CEO da Comportpet, o levantamento reforça algo que já aparece com frequência na prática: o que determina os benefícios emocionais não é apenas ter um animal em casa, mas a qualidade da relação construída com ele.


"Assim como acontece nas relações humanas, o vínculo com o pet não nasce apenas da convivência física. Ele depende de confiança, previsibilidade, leitura de sinais e experiências positivas compartilhadas ao longo do tempo", afirma.


A seguir, o especialista explica os principais fatores que fortalecem essa relação e ajudam a promover o bem-estar mútuo.

1. A qualidade da convivência importa mais do que a simples presença

Um dos principais pontos levantados pelo estudo é que a simples presença do animal não garante, por si só, alívio emocional.

"Muita gente acredita que basta o cachorro ou o gato estar por perto para que o estresse desapareça. Mas o que realmente faz diferença é a forma como essa convivência acontece. Quando existe interação de qualidade, rotina equilibrada e atenção às necessidades do animal, os benefícios aparecem com muito mais consistência. Uma relação saudável não é construída apenas com afeto. Ela depende de segurança emocional, previsibilidade e respeito ao comportamento natural do animal", afirma.


2. Respeite as diferenças entre cães e gatos

O estudo também reforça que cães e gatos não estabelecem vínculos da mesma forma, o que influencia diretamente a interação com os tutores.

"Os cães tendem a buscar mais contato social e costumam usar o tutor como referência de segurança. Já os gatos são mais seletivos, mais territoriais e demonstram afeto de maneira diferente. Isso não significa que um seja mais ligado ao tutor do que o outro, mas sim que cada espécie expressa o vínculo de forma própria", explica.

Segundo Cleber, compreender essas diferenças ajuda a evitar expectativas equivocadas e fortalece a relação entre tutor e animal.


3. Invista em rotina, socialização e adestramento

Para o especialista, esses são três dos pilares mais importantes para uma convivência equilibrada.

"A rotina dá previsibilidade ao animal. A socialização amplia a confiança dele diante de pessoas, ambientes e outros animais. E o adestramento melhora a comunicação entre tutor e pet. Juntos, esses fatores reduzem inseguranças e tornam a convivência muito mais saudável. Quando feito de forma correta, o adestramento ajuda o cão a entender o que se espera dele e também ensina o tutor a se comunicar melhor. Isso diminui conflitos, evita comportamentos indesejados e fortalece o vínculo dos dois lados", afirma.


4. Aprenda a identificar sinais de estresse e ansiedade

Diversos tutores só percebem que o animal está sofrendo quando os comportamentos já estão mais intensos.

"Os cães costumam dar sinais antes de apresentar problemas mais evidentes. Bocejos frequentes, lambedura excessiva do focinho, respiração acelerada, inquietação, destruição de objetos, latidos excessivos, isolamento e necessidade constante de atenção podem indicar desconforto emocional. Quando o tutor aprende a observar esses comportamentos, consegue agir antes que o estresse evolua para quadros mais complexos", alerta.


5. Estrutura e equilíbrio emocional são mais importantes do que permissividade

A volta ao trabalho presencial e as rotinas cada vez mais intensas têm impactado diretamente o comportamento dos cães. Ao mesmo tempo, muitos tutores ainda acreditam que amor significa permitir tudo.

"Muitos animais se acostumaram à presença constante dos tutores durante o home office. Quando essa rotina muda de forma brusca, alguns desenvolvem ansiedade de separação e outros comportamentos ligados à insegurança. Nesses casos, creches e hotéis pet podem ajudar, desde que ofereçam socialização, enriquecimento ambiental e uma rotina estruturada", explica.

O especialista também faz um alerta sobre a ideia de amor incondicional.

"Existe um mito de que amar o pet significa permitir tudo. Na prática, uma relação saudável também precisa de limites, regras claras e respeito às necessidades do animal. O carinho é essencial, mas ele precisa vir acompanhado de orientação e responsabilidade. Um cão precisa de afeto, mas também de estrutura para se sentir seguro", alerta.


Relação saudável beneficia os dois lados


Para Cleber, o principal aprendizado do estudo é que o vínculo entre tutor e pet não se resume à presença física.


"Os cães e gatos se beneficiam de uma relação construída com respeito, rotina, comunicação adequada e atenção às suas necessidades. Quando o animal vive em um ambiente equilibrado, ele se torna mais seguro emocionalmente. E um pet emocionalmente equilibrado também contribui para uma convivência mais leve, prazerosa e positiva para toda a família", conclui.


A Comportpet é uma das principais referências nacionais em comportamento e bem-estar animal, com atuação consolidada em hotelaria, creche e serviços especializados para pets. Há mais de 15 anos no mercado, desenvolveu um método próprio com abordagem integrativa que une três pilares fundamentais para uma convivência harmoniosa: Pessoas, Pets e Ambiente. Com foco em ciência comportamental, qualidade de vida e relacionamento multiespécie, a empresa se destaca por transformar rotinas e fortalecer o vínculo entre tutores e animais.



Por Izabel Santa Fe - Comunica PR

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