Inexperiência do tutor pode gerar caso de maus-tratos para o pet


 Campanha Abril Laranja foca na conscientização para evitar quadros de crueldade animal


Durante o ano de 2020, a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) de Sorocaba recebeu 1017 denúncias de maus-tratos a animais domésticos. As principais queixas são relatos de agressões físicas, envenenamento e confinamento em lugar inapropriado. Explícitas, essas circunstâncias são facilmente interpretadas como crueldade, porém, existem outras inúmeras situações, muitas vezes involuntárias, que configuram caso de maus-tratos – e que podem acontecer dentro de casa, sem o tutor perceber.


Para promover essa conscientização, a Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra Animais (ASPCA), deu início à campanha Abril Laranja, que tem como foco a conscientização e a prevenção de situação de crueldade animal.


“Nós podemos entender como maus-tratos toda condição que configure falta de cuidado e sensibilidade. Entender que as necessidades variam de pet para pet, pois eles costumam ter reações e personalidades diferentes”, explica Natália Espinosa, groomer internacional e diretora da Uau Escola de Estética Animal, localizada em Sorocaba/SP. “Às vezes, a situação não acontece por maldade, mas por inexperiência do tutor.”


Cães natalinos e outras práticas

Uma das coisas mais comuns, e que podem configurar maus-tratos, é o descaso quanto aos banhos e tosas regulares. Alguns tutores ainda acreditam que o serviço é uma futilidade, o que não é verdade. Quando o cão demora para passar pela tosa, o aumento e emaranhado dos pelos pode abafar de maneira exagerada a epiderme do animal, favorecendo a proliferação de fungos e causando problemas de pele. Além disso, pelos longos, em alguns locais, favorecem o acúmulo de urina e fezes, prejudicando a saúde do animal.


 

A atenção com o tamanho das unhas também é fundamental. Quando as unhas crescem e não são aparadas, elas podem alterar a forma como o cão se apoia ou caminha, resultando até em problemas de coluna. Em alguns casos, a curvatura da unha faz com que ela cresça e encrave nas almofadas plantares causando muita dor ao animal.



“Nós temos uma referência nos grupos de tosadores que são os ‘cães natalinos’, ou seja, são aqueles animais que passam o ano todo sem esse cuidado e só aparecem na época das festas, que é quando o tutor recebe visitas. Imagine o estado em que nós recebemos esses animais”, esclarece a groomer. “Outra prática comum, é o tutor querer trazer o cão antes de passar em consulta com o veterinário, mas isso é perigosíssimo! Além da possibilidade de o banho mascarar algum sintoma no caso de doenças de pele, o procedimento diminui a imunidade do pet e, se ele já está doente, isso pode até levá-lo a óbito. Jamais devemos dar banho em cães que tenham sinais clínicos de alguma doença”.


Uma das instituições que lida diretamente com casos de maus tratos e a falta de conhecimento dos tutores, é a Associação Protetora dos Animais de Sorocaba (SPASO). Primeira ONG criada na região com o objetivo de proteção aos animais, com mais de 35 anos lidando com os mais diversos problemas.


“O que falta para algumas pessoas é ter a empatia para enxergar o animal como um ser vivo que tem as mesmas necessidades dos humanos”, acredita Vanderlei Martinez, presidente da SPASO. “Muita gente adota, ou até compra um pet, mas esquece que ele tem personalidade e que, muitas vezes, irá contrariar o tutor. Algumas pessoas não entendem que precisam de espaço físico, tempo disponível e recurso financeiro para cuidar de um animal”.


Tosadores podem ajudar

Quando os maus-tratos ocorrem por inexperiência do tutor, um dos papéis dos tosadores profissionais é justamente promover a conscientização. Em contato direto com o pet, é fácil perceber alguns indícios de que o tratamento não está adequado. Nessa hora, é importante chamar o tutor e orientá-lo. Quando o quadro envolve possíveis doenças, é fundamental recomendar a um médico veterinário. Uma simples informação pode melhorar o bem-estar do animal e muitas vezes salvar sua vida.


Além da orientação, o groomer também precisa estar devidamente capacitado para realizar o trabalho sem promover estresse ao pet. Para alguns cães, o procedimento de banho e tosa também pode ser traumático. Na hora do atendimento, contar com um profissional que entenda de comportamento canino para fazer uma dessensibilização dos medos do animal é fundamental para tranquilizar o pet. Em casos extremos, o atendimento de um especialista em comportamento canino pode ser uma alternativa para que este animal tenha mais qualidade de vida.


“Nós precisamos fazer a nossa parte, cuidar dos animais com compaixão. Não adianta nada ficar indignado, divulgar nas redes sociais reclamando da situação” acredita Natália. “Nós podemos orientar corretamente o tutor, oferecer um serviço de qualidade ao animal e, sempre que possível, conscientizar sobre os maus-tratos. Se não for feito nada, então devemos denunciar aos órgãos competentes”.


Por Murilo Vicentini | JF Gestão de Conteúdo   


               


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