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Terceiro caso fatal de febre maculosa em Americana reforça o alerta para os cuidados com carrapatos e a proteção da família

Imagem fornecida pelo autor

Saiba por que mesmo cães protegidos exigem atenção após passeios ao ar livre e como a prevenção contra parasitas é fundamental para a Saúde Única



A recente confirmação da terceira morte por febre maculosa no ano, registrada no município de Americana (SP), acende novamente o sinal de alerta para a importância da prevenção contra doenças transmitidas por carrapatos. A febre maculosa é uma infecção grave e com alto índice de letalidade, provocada pela bactéria Rickettsia rickettsii e transmitida pela picada do carrapato-estrela.
 

O cenário também reforça a relevância do conceito de Saúde Única, a integração contínua entre a saúde humana, animal e ambiental. Por compartilharem o espaço de casa e acompanharem os tutores em atividades ao ar livre, os cães desempenham um papel central na vigilância e na prevenção dessa zoonose.
 

Um dos pontos de maior dúvida entre os tutores é a diferença entre os carrapatos e as doenças associadas a eles:

Carrapato-estrela (Amblyomma sp.): Habita predominantemente áreas de vegetação, parques, margens de rios e locais com presença de capivaras ou cavalos. É o transmissor da febre maculosa, doença que afeta gravemente os seres humanos e também pode infectar cães.

Carrapato-marrom (Rhipicephalus sanguineus): Adaptado ao ambiente urbano e doméstico, é o principal vetor de hemoparasitoses caninas, como a erliquiose e a babesiose, que atacam o sistema sanguíneo e imunológico do animal.


Por que cães protegidos ainda exigem atenção?

É comum que tutores se surpreendam ao encontrar carrapatos em pets que usam antiparasitários em dia, no entanto, a ciência explica que nenhum método oferece barreira 100% física contra a aproximação do parasita:

Como atuam os antiparasitários: A maioria o carrapato após o contato ou a picada. Isso protege o cão contra o estabelecimento da infestação, mas não impede imediatamente que o parasita suba no animal durante uma caminhada.

Transporte mecânico: Durante o tempo entre o carrapato subir no pelo do pet e a medicação fazer efeito, o cão pode agir involuntariamente como vetor mecânico, levando o parasita para dentro de casa ou do veículo e expondo a família ao risco.

Fase silenciosa de doenças: Em doenças exclusivamente caninas, como a erliquiose, a infecção pode ocorrer em fases subclínicas, permanecendo latente por semanas ou anos até que uma queda na imunidade ative os sintomas.

"Muitos tutores acreditam que o antiparasitário cria uma barreira invisível que impede o carrapato de se aproximar do cão, mas a medicação atua eliminando o parasita após o contato. Isso significa que o animal pode sim transportar o carrapato-estrela no pelo para dentro de casa antes que o produto faça efeito", explica a Dr. André Cutolo, gerente técnico de Pets da Boehringer Ingelheim.

Para garantir a segurança dos animais e dos tutores, especialistas recomendam a adoção de uma rotina simples de cuidados:

Após caminhadas em parques, praças ou áreas verdes, faça uma checagem no corpo do pet, especialmente nas orelhas, patas, entre os coxins (almofadinhas) e no abdômen.
Mantenha o uso regular de medicação carrapaticida e vermífugos conforme a orientação do médico-veterinário.

Ao frequentar locais com grama alta ou mata, utilize calçados fechados, calças compridas e roupas claras, que facilitam a visualização dos carrapatos no corpo.

Mantenha quintais e jardins limpos, com a grama aparada, evitando o acúmulo de folhagens e entulhos.

O acompanhamento periódico permite identificar alterações precoces na saúde do animal e definir o protocolo antiparasitário ideal para o seu perfil e estilo de vida.

"Aliar o tratamento preventivo contínuo com a inspeção visual após passeios em áreas verdes são medidas indispensáveis para interromper o ciclo de transmissão do parasita precocemente e garantir a segurança de toda a família", conclui André.



Por Thaís Vequetin Silva - Ideal Axicom
 

Zoonoses exigem atenção das famílias multiespécies e dos profissionais de saúde

Toxocaríase e ancilostomíase são verminoses comuns, causadas por parasitas intestinais de cães e gatos, com maior incidência em regiões de vulnerabilidade social e entre crianças._Imagem: Freepik



VetFamily reforça importância da prevenção e do conceito de Saúde Única



A convivência próxima entre humanos e animais de estimação é uma realidade consolidada no Brasil, onde estatisticamente há 1,8 animal de estimação por residência, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e do IBGE. Apesar dos pontos positivos dessa interação é essencial o alerta sobre a necessidade de conhecimento e prevenção de zoonoses, como leptospirose, esporotricose, febre maculosa e toxoplasmose.


“Cada vez mais vivemos em famílias multiespécies, com vínculos afetivos profundos entre pessoas e animais. No entanto, essa proximidade impõe responsabilidades, especialmente quando falamos de zoonoses. A saúde dos pets está diretamente conectada à saúde dos humanos”, alerta a médica-veterinária e country manager da VetFamily no Brasil, Stella Grell. Dentre suas atuações, a maior comunidade global e nacional de médicos-veterinários busca fortalecer o conceito de Saúde Única (One Health), que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental.

 

Vacinação periódica, controle de ecto e endoparasitas, manejo ambiental e visitas ao médico-veterinário são medidas preventivas para zoonoses. Imagem: Freepik


Principais zoonoses 


Leptospirose - Transmitida pela bactéria Leptospira, a doença tem grande disseminação após chuvas intensas e alagamentos, sendo transmitida aos seres humanos pela urina de animais infectados, principalmente de roedores, que são capazes de carrear leptospiras patogênicas causadoras de infecção humana.

Os sintomas em humanos incluem febre, dores musculares, vômitos, icterícia e, em casos graves, podem causar insuficiência renal, hemorragias e até a morte. Em pets, os sinais são semelhantes, podendo evoluir rapidamente. A prevenção envolve vacinação, controle e higiene ambiental, descarte correto de resíduos e controle de roedores. 


Esporotricose - Causada por fungos do gênero Sporothrix encontrados em solo e vegetação em decomposição, pode ser transmitida por contato com o meio contaminado e, principalmente, por arranhões, mordidas ou secreções de gatos infectados, que são os principais reservatórios urbanos da doença. Ela atinge pele e mucosas e, em alguns casos, olhos, ossos, pulmões e até o sistema nervoso central.

No início de 2025, a esporotricose humana passou a fazer parte da Lista Nacional de Notificação Compulsória e deve ser registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).


Raiva - Prevenida por meio de vacinação, a raiva está entre as mais graves zoonoses e é transmitida através da mordida de animais infectados, como cães, gatos, primatas e morcegos. A raiva é causada por um vírus que atinge o sistema nervoso central, com alta taxa de mortalidade após o surgimento dos primeiros sintomas. A forma mais eficaz de prevenção é a vacinação regular de cães e gatos e atenção a casos suspeitos em animais silvestres. Segundo dados do Ministério da Saúde e da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), entre 2010 e 2025 foram registrados apenas 50 casos de raiva humana no Brasil, reforçando a importância de campanhas de imunização e vigilância epidemiológica.


Febre maculosa brasileira - É transmitida por carrapatos-estrela (Amblyomma cajennense) infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii. Os sintomas da doença incluem febre alta, dores no corpo, manchas avermelhadas e mal-estar e pode ser fatal, se não tratada nas primeiras 48 a 72 horas. O controle de carrapatos, hospedeiros comuns de capivaras e cães, e a exposição cuidadosa a ambientes com potencial de risco são medidas essenciais.


Toxoplasmose - A doença é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii e sua transmissão ocorre principalmente através da ingestão de alimentos contaminados como carnes malpassadas ou cruas, verduras e legumes não higienizados corretamente. Embora muitos casos sejam assintomáticos, pode ser grave em gestantes, com risco de aborto ou malformações fetais. A prevenção está diretamente ligada aos cuidados com a higiene alimentar: cozinhar bem as carnes, lavar corretamente frutas e vegetais e manter bons hábitos de preparo dos alimentos. Consultas veterinárias regulares também são importantes no controle da infecção em animais de estimação e o médico-veterinário tem um papel importante no processo de educação e informação em saúde.


Toxocaríase e ancilostomíase - São duas verminoses intestinais causadas por parasitas de cães e gatos, com maior incidência em regiões de vulnerabilidade social, especialmente entre crianças. A toxocaríase ocorre quando humanos, geralmente crianças, ingerem ovos do parasita presentes em solo ou areia contaminados com fezes de animais infectados. Já a ancilostomíase é adquirida pelo contato direto da pele com larvas presentes no solo contaminado, que penetram ativamente através da pele, principalmente ao andar descalço.


Leishmaniose visceral - Transmitida pela picada do mosquito-palha (Lutzomyia spp.) infectado pelo protozoário Leishmania infantum, agente causador da leishmaniose visceral no Brasil, a doença acomete cães e humanos, provocando sintomas como febre persistente, emagrecimento, aumento do baço e do fígado, podendo levar à morte, se não tratada.

Os cães não transmitem diretamente a doença, mas atuam como principais reservatórios para o mosquito vetor. Por isso, a prevenção é fundamental, tanto para a saúde humana quanto animal, e deve incluir uso de repelentes específicos nos cães, controle da população de vetores e cuidados ambientais, como evitar o acúmulo de matéria orgânica onde o mosquito possa se reproduzir.  


A saúde dos pets está diretamente conectada à saúde dos humanos. Imagem: Freepik


Prevenção é responsabilidade compartilhada


“Boa parte das zoonoses pode ser prevenida com medidas simples, como vacinação periódica, controle de ecto e endoparasitas, manejo ambiental e visitas regulares ao médico-veterinário. Há no mercado soluções seguras e eficazes contra pulgas, carrapatos e vermes intestinais que contribuem com a prevenção”, explica Stella.


A abordagem integrada entre humanos, animais e meio ambiente é essencial para mitigar os impactos das zoonoses, inclusive aquelas que ainda podem emergir. “Prevenção e exames regulares são essenciais tanto para humanos como para animais. Check-ups veterinários devem ser feitos ao menos uma vez ao ano ou em intervalos menores para pets idosos ou com comorbidades. Médicos-veterinários não cuidam apenas de pets – cuidam da saúde coletiva”, finaliza Stella.



VetFamily - Organização global líder em soluções para clínicas veterinárias independentes, é parte do Vimian Group, tem sede em Estocolmo (Suécia) e reúne mais de 9.000 clínicas e 25 mil veterinários em mais de 11 países da União Europeia, Estados Unidos, Austrália e Brasil. Seu objetivo principal é contribuir para a melhor administração e lucratividade das clínicas, oferecendo diversos serviços, como centralização da negociação com parceiros comerciais, apoio à gestão e disseminação de conhecimento. Conheça mais em www.vetfamilybrasil.com.br.



Por Georgia Tárrega - Equipe Deepzo