Pets que cuidam: Hospital Santa Catarina - Paulista firma parceria para visitas terapêuticas com cães

 

Iniciativa com a ONG Terapia Cão Carinho leva acolhimento, bem-estar e leveza a pacientes, acompanhantes e colaboradores


O Hospital Santa Catarina - Paulista passou a contar, desde fevereiro, com uma nova ferramenta no cuidado aos pacientes: a terapia assistida por animais. Em parceria com a ONG Terapia Cão Carinho, a unidade iniciou um programa de visitas mensais com cães treinados, que levam conforto emocional e contribuem para um ambiente hospitalar mais humanizado.


 

A iniciativa surgiu a partir da escuta dos próprios pacientes, muitos dos quais relatavam saudade de seus animais de estimação durante o período de internação. A instituição realizou alguns encontros pontuais e identificou uma oportunidade de ampliar as estratégias de acolhimento. Após uma busca criteriosa, a ONG foi selecionada por sua experiência, estrutura e alinhamento com os protocolos hospitalares.


 

“A gente percebeu que havia uma demanda dos próprios pacientes. Entendemos que seria algo com grande aceitação e buscamos referências para uma organização que estivesse alinhada aos nossos valores e cuidados”, explica Paula Baroni, coordenadora de atendimento responsável pelo voluntariado.


 

As visitas acontecem uma vez por mês, durante a semana, com duração de até uma hora e meia. Os encontros são organizados de acordo com a disponibilidade dos voluntários e o bem-estar dos animais. A pediatria é sempre a primeira área a ser contemplada, mas, dependendo da condição dos cães, outras alas também podem ser visitadas, incluindo áreas de internação adulta e espaços comuns, além de interações com colaboradores.


 

A atuação dos animais segue critérios rigorosos. Os cães são acompanhados por seus tutores e passam por avaliações comportamentais e veterinárias periódicas. A escolha dos animais considera fatores como porte, idade e perfil comportamental, garantindo trocas seguras e adequadas com cada tipo de paciente. Cães maiores, por exemplo, são frequentemente direcionados à pediatria, enquanto os menores facilitam visitas em quartos, especialmente quando se trata de pacientes com mobilidade reduzida.


 

Além disso, todos os protocolos de higiene e segurança são devidamente atendidos, o que inclui banho prévio dos animais, uso de materiais higienizados e atenção às condições clínicas dos pacientes. A ONG também conta com suporte técnico de especialistas em comportamento animal e medicina veterinária.




 

Benefícios vão além do emocional


Estudos indicam que a terapia assistida por animais pode reduzir significativamente a ansiedade, a dor e o estresse em pacientes hospitalizados, além de melhorar o humor e o bem-estar geral. Uma revisão sistemática publicada em 2025 na revista científica Journal of Holistic Nursing, que analisou estudos clínicos sobre o tema, apontou que a interação com pets, especialmente cães, está associada à redução de sintomas depressivos e ao aumento da sensação de conforto durante a internação, independentemente da idade.


 

Na unidade da Rede Santa Catarina, os impactos positivos já são visíveis. Segundo Paula Baroni, a presença dos cães transforma o ambiente e promove benefícios que vão além do aspecto emocional. “Você está internado e, de repente, abre a porta e tem um cachorrinho ali, pronto para interagir. É uma energia diferente, que transforma o ambiente como um todo”, afirma.


 

Os efeitos são percebidos tanto nos pacientes quanto nos profissionais. A interação com os animais vem contribuindo para reduzir o estresse, melhorar o humor e criar momentos de descontração em meio à rotina hospitalar. “A gente vê brilho nos olhos, alegria genuína. Não só nos pacientes, que são o nosso foco, mas também nos colaboradores. Isso impacta diretamente na forma como eles trabalham e cuidam das pessoas”, destaca.



A parceria do Hospital Santa Catarina - Paulista com a Terapia Cão Carinho reforça o compromisso com uma abordagem mais humanizada no cuidado à saúde, integrando práticas que valorizam não apenas o tratamento clínico, mas também o acolhimento e a qualidade de vida durante a internação. “Os benefícios são diversos. É algo que realmente faz a diferença”, conclui Paula.



Por Nadja Cortes - fsb

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