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El Niño acende alerta para a saúde de cães e gatos

Chuva intensa, calor e mudanças bruscas de temperatura podem aumentar riscos à saúde dos pets e exigem atenção dos tutores nos próximos meses



 O El Niño tem mais de 90% de probabilidade de se configurar como muito forte em novembro, segundo o Boletim do Painel El Niño 2026-2027, que reúne INMET, INPE, Cemaden e ANA e reproduz a previsão do CPC/NOAA. A previsão indica temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil, chuvas mais intensas no Sul e possibilidade de quedas bruscas de temperatura.

 


A combinação exige atenção dos tutores de cães e gatos. Em poucos dias, o animal pode enfrentar calor intenso, baixa umidade, chuva forte e queda acentuada nos termômetros. Cada condição traz riscos diferentes e demanda ajustes na rotina, principalmente entre filhotes, idosos, animais obesos, braquicefálicos e aqueles que convivem com doenças cardíacas ou respiratórias.

 


“O risco não está no El Niño de forma isolada, mas nas condições meteorológicas associadas ao fenômeno. Quando o clima muda rapidamente, o tutor precisa adaptar horários de passeio, exposição ao sol, hidratação e permanência em áreas externas. Animais mais vulneráveis podem apresentar sinais clínicos em um intervalo curto”, afirma Vinícius Rodrigues Alves, médico veterinário da WeVets, o maior grupo de saúde veterinária do Brasil.

 


Nos períodos de calor, os cães regulam a temperatura corporal principalmente pela respiração ofegante. Temperaturas elevadas, umidade alta e exercícios intensos dificultam esse processo e podem provocar hipertermia. Respiração muito acelerada, salivação excessiva, fraqueza, vômitos, desorientação, tremores e desmaios exigem atendimento veterinário imediato.

 


Raças de focinho curto, como pug, bulldog, shih-tzu e boxer, enfrentam maior dificuldade para dissipar o calor. O mesmo cuidado deve ser adotado com animais idosos, acima do peso ou com alterações cardíacas e respiratórias.

 


A chuva também exige atenção. Pelos e orelhas que permanecem úmidos favorecem irritações, dermatites e infecções. Após passeios ou contato com a água, o animal deve ser completamente seco, principalmente nas patas, entre os dedos, nas orelhas e em regiões com pelagem mais densa.

 


Poças, lama, enchentes e água parada devem ser evitadas. Cães podem contrair leptospirose pelo contato com água ou solo contaminado pela urina de animais infectados. A bactéria encontra condições favoráveis em ambientes quentes e úmidos, e a incidência tende a aumentar após períodos de chuva.

 


“Não se deve permitir que o animal beba água de poças ou caminhe por áreas alagadas. Se o contato acontecer, o tutor precisa higienizar patas e pelagem e acompanhar possíveis alterações, como falta de apetite, vômitos, prostração, febre ou mudanças na urina”, orienta o médico veterinário.

 


As quedas bruscas de temperatura não causam infecções por si mesmas, mas podem agravar quadros respiratórios ou aumentar o desconforto e a dor articular nos animais que já apresentam alguma condição clínica. Tosse persistente, secreção nasal, respiração com esforço, língua arroxeada e redução acentuada da disposição não devem ser atribuídas apenas à mudança do tempo.

 


O boletim climático também indica maior risco de queimadas em partes das regiões Centro-Oeste e Norte devido à combinação de calor e estiagem. A fumaça pode irritar olhos e vias respiratórias. Em dias com baixa qualidade do ar, a recomendação é reduzir passeios e atividades externas, manter o ambiente ventilado sem exposição direta à fumaça e observar tosse, lacrimejamento ou dificuldade para respirar.

 


Cuidados durante as mudanças do tempo


-Passear nas primeiras horas da manhã ou no fim do dia

-Manter água fresca disponível em diferentes pontos da casa

-Evitar exercícios intensos durante o calor e a umidade elevada

-Verificar a temperatura do asfalto antes do passeio

-Secar completamente o animal depois da chuva

-Impedir o contato com poças, lama, enchentes e água parada

-Manter vacinas e controle de pulgas, carrapatos e mosquitos atualizados

-Adaptar camas e espaços de descanso quando houver queda de temperatura

-Reduzir atividades externas em períodos de fumaça ou baixa qualidade do ar

-Procurar atendimento diante de dificuldade respiratória, desmaio, convulsão e vômitos


“O tutor não precisa esperar um quadro grave. Mudanças de comportamento, recusa de água ou alimento e alterações na respiração já justificam uma avaliação, especialmente entre animais idosos ou com doenças preexistentes”, conclui o médico veterinário da WeVets.



Por Hélio Júnior - Focal 3 Comunicação